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Poder Régio
Apesar da organização política feudal se basear num esquema sucessivo de vassalidades que iam desde o humilde detentor de um pequeno feudo ao senhor de vastos terrenos que obedecia em teoria ao rei, este detinha neste panorama um poder essencialmente de arbítrio, zelando para que cada parte cumprisse os seus deveres e deste modo se mantivessem o equilíbrio e a paz. O soberano não tinha assim um poder direto sobre os senhores, excetuando um pequeno número de barões, cumprindo as suas funções através de intermediários. Chega-se inclusivamente ao ponto de o rei possuir domínios de dimensão e importância bastante inferiores aos da maioria dos senhores terratenentes, devendo-se este facto também à apropriação indevida de propriedades régias pelos senhores, o que deu origem às Inquirições. Desta forma, verifica-se que o poder régio advinha não só de uma força ou riqueza materiais mas da unção e da superioridade moral que permitia resolver os conflitos sem recorrer a excessos de ordem física. Constata-se assim que na Idade Média imperava o valor moral, cujo incumprimento podia inclusivamente fazer perder os direitos do senhor da terra sobre a mesma. Foram vários os casos com estas características, em que os senhores maltratavam peregrinos ou quebravam os juramentos. Estendia-se esta regra também aos soberanos, cujos súbditos eram livres de destronar caso considerassem que alguma ordem sua tinha sido indigna e podendo os mesmos vassalos apelar ao papa, que os desobrigava da obediência se alguma aspeto da conduta régia fosse considerada incorreta ou ofensora dos bons costumes.
É de ressaltar ainda o modus vivendi da dinastia francesa dos Capetos, que encarnava na perfeição aquilo que mais prezado era num soberano: a simplicidade no vestir, no comer, no beber, misturando-se com o povo sem se destacar, inteirando-se das necessidades deste e ganhando pela justiça o seu respeito e fidelidade.
Por outro lado, o rei dispõe das terras incluídas na sua jurisdição a seu bel-prazer (o que frequentemente lhe traz conflitos com os senhores feudais) e o trono é transmitido hereditariamente, sendo estas as características mais marcantes do sistema monárquico medieval.
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