poder

O poder é uma dimensão de todas as relações humanas: família, vizinhança, trabalho, associações, etc. É uma noção prática, se comparada com o conceito de autoridade. O poder exprime uma relação dialética entre dois indivíduos. Para que haja poder, é necessário que exista uma ordem e um comportamento de obediência. Para Max Weber, o poder consiste na probabilidade de uma pessoa conseguir realizar um objetivo individual numa ação comum. Para o politicólogo americano R. Dahl, o poder é "... a possibilidade de um ator A impor a um ator B gestos que este último não faria sem a influência de A" (1957). Numa outra perspetiva, Karl Marx e os seus seguidores insistem na ideia de que as relações de poder traduzem relações de dominação económica entre as classes, cuja origem se encontra nas relações de produção. Na definição das modalidades de luta de classes, o nível económico assume um papel dominante e determinante, em última instância, apesar de serem considerados igualmente os níveis político e ideológico. Neste sentido, na formação social capitalista, o Estado é a expressão da classe economicamente dominante.
O poder não é necessariamente negativo nem repressivo; é uma relação de interação entre dois indivíduos ou dois grupos. Esta ideia de interdependência, resultado da crescente complexidade das sociedades contemporâneas, criando elos de dependência a vários níveis, permite compreender a pertinência da definição de poder proposta por N. Elias: "Alguém exerce o poder sobre nós na medida em que nós dependemos mais de alguém do que ele depende de nós" (1994). Associada a esta ideia de reciprocidade, ainda que desigual, as relações entre pessoas e grupos estão cada vez mais abertas a incertezas e também a estratégias. Esta dimensão do poder foi particularmente estudada por M. Crozier e E. Fridberg, que a definiram, no contexto das organizações, como a capacidade de um indivíduo criar zonas de incerteza: "Assim, quanto mais a zona de incerteza controlada pelo indivíduo ou pelo grupo seja crucial para o êxito da organização, mais ele disporá de poder". Estas zonas de incerteza têm a sua fonte de poder na posse de uma especialização profissional, no domínio dos meios de comunicação e informação internos à organização, nos contactos com o exterior e no conhecimento das regras e regulamentos.
Com efeito, para os sociólogos, o poder não é concebido como um atributo, mas como uma característica das relações entre os homens, das relações sociais, constituindo uma dimensão estrutural das sociedades. Embora a maior visibilidade do poder esteja associada ao exercício político, este não se reduz àquele, sendo apenas uma forma particular de poder.
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