Pós-modernismo

História
O pós-modernismo é um período simultâneo ao chamado "capitalismo pós-industrial" atual, que se caracteriza pela troca de bens imateriais, como a informação e os serviços (nascidos das tecnologias eletrónica e nuclear), e pela imposição da mentalidade relativista e revisionista. Consequentemente, ainda não se encontra implantado o pós-modernismo em todas as partes do Mundo, apenas nos países das zonas mais evoluídas em termos industriais (Europa Ocidental e América do Norte).

A pós-modernidade, sendo a vertente cultural da sociedade pós-industrial, interliga-se estreitamente com o fenómeno da globalização, uma vez que o consumismo pretende a inserção de todas as culturas num mecanismo único com difusão dos princípios estético-estilísticos através dos meios de comunicação e da indústria da cultura. Sendo a pós-modernidade uma época de inovações técnicas, sociais, artísticas, literárias e políticas, entre outras, opõe-se naturalmente ao Modernismo ou à Modernidade, sendo que o declínio das vanguardas deste mesmo Modernismo marca a transição entre estes dois períodos.

Um destes aspetos foi a progressiva implantação do abstracionismo na figuração, no que se refere à arte, por exemplo, impondo-se progressivamente a "crise da representação". Projetada já pelos impressionistas (Monet, Renoir, Sisley, Cézanne), pontilhistas (Seurat, Signac), cubistas (Picasso, Bracque) e futuristas (Boccioni, Carrà, Giacomo Balla), entre outros movimentos vanguardistas, atingiu o auge evolutivo no pós-modernismo, em que a mera referência à figura foi totalmente eliminada (De Stijl, Expressionismo Abstrato, Arte Cinética, Arte Op, Minimalismo, Arte Conceptual), procurando-se a representação ou transmissão de ideias através de métodos indiretos, sensoriais e enquadrados num código fechado do qual muitas vezes só o artista é possuidor. Nesta sequência, e no âmbito do cinema, lembre-se que se enquadra o filme Branca de Neve (2000) do realizador português João César Monteiro, onde a quantidade de imagens é reduzidíssima e a comunicação é quase exclusivamente sonora.

De facto, a originalidade e a inovação que estiveram presentes não só na arte como na literatura, teatro, cinema e música das vanguardas modernistas foram completamente ultrapassadas pelas noções estilísticas pós-modernas, em que a pretensão de criar uma nova corrente estilística não é encorajada. O pós-modernismo na arquitetura rejeitou nos anos 50 e 60 o elogio do novo do modernismo, voltando-se arquitetos como Ricardo Bofill, Frank Gehry e Robert Venturi para um estilo feito de utilidade e colagens de estilos anteriores, evidenciando que no período pós-moderno o artista criativo deu lugar ao técnico, capaz de manejar manifestações do passado criando algo de novo sem elementos genuínos. O mesmo aconteceu na arte, com o advento dos ready made de Marcel Duchamp, e a arte de Andy Warhol, que se apropriou de ícones e manejou a imagem a seu bel-prazer, e na literatura, com autores como Paul Auster, John Barth, Thomas Pynchon e David Foster Wallace.

Tal como o modernismo, o período subsequente valoriza a eliminação das distinções de género e de qualidade da arte, mas o pós-modernismo enfatiza a descontinuidade, a fragmentação, a desumanização, a falta de sentido e a desestruturação (o que originou, por exemplo, o surgir de fundamentalismos religiosos como o islâmico). Prefere o contingente, o imediato, o provisório e o temporário, os eventos locais, as narrativas de curta duração e contrapõe-se aos conceitos universais, de grande escala. Defende igualmente a superficialidade, daí que se utilize continuamente a cópia de elementos pré-existentes. Contudo, uma das principais características desta época é o primado da tecnologia, uma vez que se chega a considerar que o que não é passível de ser armazenado num computador deixa de ser conhecimento, não reconhecível pelo sistema vigente.

Na verdade, não existindo verdadeiramente estilos pós-modernos, apenas se podem observar manifestações ligadas profundamente aos hábitos de consumo, às formas de circulação e de produção de artigos, aglutinados pela homogeneização globalizada e pela entropia (em que qualquer criação é permitida).

Estes fatores relembram que a origem do pós-modernismo se encontra no Marxismo, uma doutrina que dava a precedência à produção material. Além disso, explicam a decadência das vanguardas, uma vez que há uma permissão generalizada em relação a todas as produções, não havendo assim lugar para grupos que reclamam deter a verdade em relação a determinado assunto, conduzem a cultura da época e são alvo de incompreensão por não serem compreendidos no seu tempo.

Na verdade, o avanço cada vez mais veloz de tudo o que concerne à sociedade faz com que estas estruturas de tornem obsoletas, uma vez que já não cabe na mentalidade humana o "impossível". Em última instância, o pós-modernismo é a dissolução das fronteiras entre o sujeito e o objeto, entre as diferentes coisas, imperando aquilo que é irrepresentável, a diversidade e as colagens do que já havia anteriormente para formar uma realidade diferente.

Arquitetura
A arquitetura constituiu uma dos mais significativas áreas de desenvolvimento do Pós-Modernismo. Durante a década de 70, esta tendência manifestou-se simultâneamente em vários países europeus, nos Estados Unidos e no Japão, expandindo-se posteriormente para todo o mundo tornando-se um dos mais importantes movimentos arquitetónicos das décadas de 80 e 90. Mais que uma corrente coesa, o Pós-Modernismo revelou uma alargada proliferação de abordagens conceptuais e de interpretações individuais, marcadas geralmente por um ecletismo de tendência ora vernacular ora clássica, no respeito pelas identidades culturais pela complexidade do contexto físico e social da obra arquitetónica.

Os mais historicistas ou vernaculares foram os americanos Robert Venturi e Robert Stern, o inglês Terry Farrell e o japonês Arata Isozaki. O arquiteto austríaco Hans Hollein representou a vertente mais formalista e requintada enquanto que os italianos Giorgio Grassi e Aldo Rossi desenvolveram projetos mais depurados e mais atentos à génese tipológica e morfológica do objeto arquitetónico. Os trabalhos dos ingleses James Stirling e Michael Wilford procuram cruzar referências historicistas com uma linguagem high tech que na altura marcava a produção arquitetónica inglesa.

No contexto americano destacam-se ainda as obras de Michael Graves, do neo-modernista Richard Meier e de Philip Johnson (discípulo de Mies van der Rohe).

A arquitetura pós-modernista encontrou a sua fundamentação teórica em três importantes ensaios, todos eles escritos por arquitetos de projeção internacional e publicados em 1966: "A Arquitetura da Cidade" de Aldo Rossi, o "Território da Arquitetura", de Vittorio Gregotti, e "Complexidade e Contradição em Arquitetura", de Robert Venturi.

Ao nível do urbanismo, o Pós-Modernismo resultou de uma violenta rejeição da cidade moderna, tal como fora concebida por Le Corbusier e por outros arquitetos ligados ao Funcionalismo. Condenando as formulações contidas na Carta de Atenas (que proclamava a uniformização e a mecanização da vida urbana, esquecendo a dimensão antropológica, histórica e social da cidade), o urbanismo pós-moderno inspirou-se nas filosofias fenomenológicas de Heidegger e no conceito de espírito do lugar, tendo desenvolvido instrumentos de estudo análise urbana ao nível da morfologia, da tipologia ou da sociologia, para o que contribuiram os trabalhos teóricos de Aldo Rossi e de Christopher Alexander e os estudos dos irmãos Leon e Robert Krier.

Artes Plásticas e Decorativas
Ao nível das artes plásticas, a atitude pós-moderna revelou-se a partir das revoltas do maio de 68 e manifestou-se na oposição ao radicalismo anti-historicista e ao otimismo das vanguardas das primeiras décadas do século XX, assim como à frieza do minimalismo, resultando na recuperação do imaginário histórico e de formas clássicas ou barrocas.

Os artistas que integram este movimento procuram questionar as codificações e as rotinas sociais da contemporaneidade. Derrubando ideias pré-concebidas e dogmáticas, entendem que a liberdade criativa se deve traduzir na liberdade de opção relativamente às linguagens e às referências formais e conceptuais. Inspirados pelas teorias estruturalistas e pelo conceito de simultanismo de Jean Baudrillard, alguns dos artistas pós-modernos cruzam sem preconceitos imagens recentes e reais com trabalhos históricos famosos.

Um dos pioneiros do pós-modernismo foi o americano John Baldessari (1931-) que, no início dos anos setenta se revolta contra a sua própria produção de carácter minimalista, destruindo-a. No contexto americano, destacam-se ainda os trabalhos de Jeff Koons (1955-), famoso pelos seus trabalhos em estilo rococo e pela série de esculturas "Adão e Eva" realizadas com Ileona Staller (a Cicciolina); de Allan McCollum (1944-), que através do uso de objetos banais e de formas clássicas, critica o Minimalismo e o Expressionismo Abstrato; de Peter Halley (1953-), que executa grandes composições geométricas nas quais utiliza circuitos integrados e imagens de lugares míticos da cultura contemporânea (como aeroportos e estradas); e de outros artistas ligados às correntes simultanistas e neo-geo como Cady Noland (1956-), Richard Prince (1949-) e Sherrie Levine (1947-) ou o venezuelano Meyer Vaisman (1960-), autor de um conjunto de auto-retratos irónicos e de naturezas mortas.


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