PoSat-1

O PoSat-1, primeiro satélite português, entrou em órbita às 03.27h do dia 25 de setembro de 1993 (hora de Lisboa), da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do foguetão europeu Ariane. Foi concebido por um consórcio que concretizou a entrada de Portugal no grupo de países com programa espacial e estava integrado em diversas instituições, como: o Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI) - onde se notabilizou o Prof. Carvalho Rodrigues, um dos grandes impulsionadores do projeto -, a Marconi, a Alcatel, a Efacec, as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), a Cedintec, o Instituto Superior Técnico, a Universidade da Beira Interior e a Universidade de Surrey (universidade americana, responsável pela transferência de tecnologia para os técnicos portugueses).
Na estrutura para cargas auxiliares (ASAP) do Ariane, além do PoSat, foram lançados outros satélites da mesma categoria: o EyeSat e o ItamSat (Itália), o KitSat-B (Coreia), o HealthSat (da organização médica internacional Satellite), o Stella (França). O principal protagonista desta missão, designada por Voo 59, foi o francês SPOT-3, um supersatélite de reconhecimento fotográfico. O engenho espacial português integrou a mesma órbita do SPOT-3 - uma órbita circular polar, situada 820 km acima da superfície terrestre, com uma inclinação de 98,6 graus. O PoSat completará uma órbita em cada 101 minutos, realizando por dia uma média de 14 viagens em torno da Terra. Cinco a seis dessas passagens diárias estarão ao alcance de qualquer estação de rastreio no solo, sendo de 12 minutos, em média, o período de tempo de contacto.
Em território português existe um único terminal de controlo do satélite, que está instalado numa pequena torre, construída para o efeito, no recinto do Centro de Controlo Operacional de Satélites (CASC), da Marconi, localizado perto de Sintra. É a partir dali que se realizam todas as comunicações com o PoSat, ficando a distribuição dessas informações pelos utilizadores a cargo da Marconi. O PoSat tem um 'gémeo terrestre', montado nas OGMA, em Alverca, onde permanece e que permite testar previamente, diversos aspetos da tecnologia e do modo de funcionamento do satélite, nomeadamente os pacotes de software.
O PoSat-1 é, numa breve descrição, uma caixa de alumínio, em forma de paralelepípedo, com as dimensões de 35 centímetros de lado por 35 de profundidade, 58 de comprimento e 50 quilos de peso. Sobre uma gaveta-base, que contém as baterias e o módulo de deteção remota, estão empilhadas dez gavetas cheias de placas eletrónicas - os subsistemas do engenho. No topo estão os sensores de altitude e o dispositivo de estabilização, instrumentos essenciais para o PoSat manter a órbita correta. Nas quatro faces laterais foram montados painéis solares que constituem a fonte de energia para todos os sistemas de bordo.
A estrutura de comunicações do PoSat integra vários sistemas: o de radiofrequência (constituído por antenas, recetores, transmissores e modems), os módulos de telecomando e telemetria (para a leitura e controlo dos pârametros internos, como a temperatura ou os níveis de energia), o sistema store & forward (que permite ao aparelho recolher informação numa estação e despejá-la numa outra) e um módulo de processamento de sinais.
O satélite levou a bordo seis subsistemas para fins científicos, globalmente designados por carga útil. O plano de exploração científica do primeiro engenho espacial português, preparado pelo Departamento de Física do Técnico, teve, de uma forma geral, como objetivos: fazer a caracterização das cinturas de radiação da Terra, o reconhecimento da distribuição dos níveis de radiação cósmica sobre a superfície terrestre, a calibração de um detetor de estrelas para determinação absoluta da posição do satélite e o estudo dos ventos solares, além da entrada efetiva das empresas portuguesas no negócio das comunicações via satélite.
Um sistema GPS (Sistema de Posicionamento Global), que determina em cada segundo a posição e a velocidade do satélite, permitindo ao computador a manutenção dos elementos orbitais e a sincronização com os outros elementos de bordo.
Parte das experiências realizadas através do PoSat-1 pretendem testar alguns dos componentes eletrónicos a bordo, de forma a que esses equipamentos possam ser otimizados na construção de futuros engenhos espaciais portugueses. Na esteira do PoSat-1, cujo tempo de vida útil foi estimado de cinco a oito anos, (ao fim de oito a dez anos a órbita do satélite começará a degradar-se este desintegra-se na atmosfera) projetou-se uma rede global - a NetSat. Esta rede concebeu o lançamento de 26 minissatélites portugueses (semelhantes ao PoSat) até ao final do século. O primeiro satélite da rede foi lançado em 1995, pela agência espacial russa.
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