Povoação

Aspetos Geográficos
O concelho de Povoação localiza-se na ilha São Miguel e inclui-se na Região Autónoma dos Açores (NUT I, II e III), pertencente ao grupo oriental do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a norte pelo concelho de Nordeste e Ribeira Grande, a oeste por Vila Franca do Campo, e a sul e a este pelo oceano Atlântico. Ocupa uma superfície de 110,3 km2, distribuída por seis freguesias: Água Retorta; Faial da Terra; Nossa Senhora dos Remédios; Furnas; Povoação e Ribeira Quente.
Em 2005, o concelho apresentava 6624 habitantes. O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras dos Poisos dos Pombos e dos Lagos. O relevo é integrado na ilha de São Miguel, sendo caracterizado por materiais de projeção e cones de escórias (materiais piroclásticos). É possível encontrar as seguintes formações geológicas: Feteira (586 m), Salto do Cavalo (805 m), Pico das Marcondas (350 m), Lagoa das Furnas (cratera vulcânica), Ponta do Faial e Fajã do Calhau.

História e Monumentos
Povoação foi o primeiro local de fixação na ilha de São Miguel, a primeira ilha a ser descoberta em 1427 por Diogo de Silves. O povoamento iniciou-se em 1444, tendo sido Gonçalo Velho Cabral o primeiro governador da ilha.
Nos séculos XVI e XVII, a existência de uma pequena ribeira que atravessa a vila permitiu que Povoação se tornasse num arsenal importante, onde se construíam barcos de pequena e média cabotagem. Esta atividade terminou com o assoreamento da ribeira.
A fertilidade dos solos e a localização estratégica nas rotas entre a Europa e a América da ilha de S. Miguel justificam o acentuado crescimento económico desta região. O cultivo de trigo, cana-de-açúcar, pastel, urzela, vinho e mais tarde de batata-doce, milho, inhame, linho e laranja, sendo esta exportada em grande escala para a Inglaterra, eram a base da economia dos séculos XVI a XVIII.
Em finais do século XIX, os laranjais, que eram então a mais importante fonte de receita da ilha, foram destruídos por uma doença. No entanto, a população passou a dedicar-se ao cultivo de novas culturas, nomeadamente chá, tabaco, espadana, chicória, beterraba sacarina e ananás.
Do património arquitetónico de Povoação, é de destacar o miradouro da Lomba do Cavaleiro, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário - a primeira paróquia da ilha -, os paços do município e a Ermida de Santa Bárbara, do século XV, e que é considerada a mais antiga da ilha.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo que são celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. É também de destacar o festival de Povoação, na primeira semana de julho, um festival que inclui música, artesanato e gastronomia.
A nível de artesanato, destacam-se as flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano, os capachos de folhas de milho e espadana; os trabalhos de vime, os bordados de linho, os bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.
As personalidades ligadas ao concelho que mais se destacaram foram: o padre José Ernesto Jacinto Raposo, o primeiro ouvidor do concelho e cofundador da Santa Casa da Misericórdia e da Caixa Económica; José Honorato Gago da Câmara Botelho de Medeiros, engenheiro de construção naval, que doou as atuais instalações da biblioteca municipal e foi um benemérito do concelho, e o padre João de Medeiros, que legou toda a sua fortuna ao desenvolvimento cultural do concelho.

Economia
Em Povoação, a agricultura tem um papel importante, que se traduz no facto de 32,5% da área do concelho ser dedicada à atividade agrícola. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, as culturas permanentes de vinha, citrinos e frutos subtropicais, as culturas temporárias de cereais para grão, prados, pastagens permanentes e prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos, os suínos e as aves constituem as principais espécies de criação de gado.
A região apresenta uma elevada densidade florestal - 39,8% - que corresponde a uma área de 430 ha, salientando-se como espécies mais abundantes os cedros, os zimbros e os loureiros.
O concelho possui um dos mais importantes portos de pesca da ilha, em Ribeira Quente, que emprega quase toda a população da freguesia.
No setor terciário o destaque vai para o turismo.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha consistem no golfe, ténis, prática de vela, windsurf, remo, escaladas, passeios, mergulho, observação e fotografia submarinas e pesca.
Como referenciar: Povoação in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-15 02:26:13]. Disponível na Internet: