preconceito

Com origem nas palavras latinas prae e concepto, o preconceito é a ideia ou o conceito concebido antes da verificação real da situação em causa que pode ter um valor positivo ou negativo e que se generaliza a um determinado número de situações equivalentes, apesar de a equivalência existente em nada se relacionar com o preconceito em si. É o caso, por exemplo, dos preconceitos relativos a negros ou asiáticos que estão na base de atitudes hostis e, por isso, discriminatórias, relativamente a pessoas dessas etnias. Em geral, esses preconceitos tendem a tomar o todo pela parte, ou seja, tendem a pegar numa questão particular, como a marginalidade existente em alguns indivíduos dessa etnia, e generalizar essa situação à totalidade dos elementos desse grupo a priori sem procurar confirmar se essa mesma realidade se verifica realmente. O preconceito quando se generaliza torna-se um estereótipo que vai fazer parte, muitas vezes, do senso comum e se expande a partir de rumores que se vão por sua vez adensando em preconceitos e cristalizando em estereótipos. Este fenómeno existe não só em termos de realidade próxima, nas sociedades urbanas que incluem minorias étnicas, como em relação a realidades geograficamente mais distantes, como é o caso de preconceitos relativos a certos continentes, países e nações. Em todos estes casos, as pessoas são privadas da sua individualidade e da sua identidade como seres humanos antes de tudo, um dos direitos mais preciosos da Humanidade. Em muitas ocasiões, este tipo de generalizações levou à prática de crimes de discriminação étnica, tanto de escravatura como de genocídio, como foi o caso dos africanos, dos índios, dos ciganos ou dos judeus.
Um estudo importante sobre o preconceito foi levado a cabo por Theodor Adorno, que publicou, em 1950, The Authoritarian Personality, A Personalidade Autoritária, em que argumentou que os preconceitos são construídos a partir das necessidades pessoais dos indivíduos que os defendem, normalmente com personalidades autoritárias e radicais e que são preconceituosos relativamente a tudo aquilo que é diferente e externo ao seu "clã". Esta forma extrema de preconceito é chamada de etnocentrismo pelo facto de ter o seu próprio grupo e valores como ponto de referência e, portanto, de superioridade relativamente a todos os outros grupos que dele se dissociam. A chamada "personalidade autoritária" foi definida como sendo intolerante, rígida em valores, conservadora e extremamente submetida à autoridade no seio do seu próprio grupo, surgindo como um resultado de infância vivida em famílias excessivamente disciplinadoras.
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