pressuposição pragmática

Relação de sentido entre o que se diz com um enunciado e o que ele deixa dizer ou o que se pressupõe para além dele, mas que não foi explicitado. Uma visão pragmática sobre a pressuposição conduz a uma perspetiva mais rigorosa a respeito deste fenómeno, na medida em que ela é mais bem definida dentro de uma situação linguística, tendo em consideração o locutor que a diz e o alocutário a quem é dirigida.
i. Conheci o ex-marido da Paula.
ii. A Maria João disse-me que conheceu o ex-marido da Paula.
iii. Pressuposição: A Paula é divorciada.
Outro entendimento mais amplo sobre a pressuposição pragmática diz respeito às condições contextuais que devem ser satisfeitas para que o ato de fala seja adequado às circunstâncias da sua produção:
iv. Liga o computador.
v. Pressuposição 1: O computador está desligado.
vi. Pressuposição 2: O locutor quer ligar o computador.
Assim, o enunciado Liga o computador, que constitui um ato ilocutório diretivo (ordem) só faz sentido se as pressuposições O computador está desligado e O locutor quer ligar o computador forem verdadeiras durante o momento da enunciação. Neste sentido, a pressuposição é uma condição de felicidade ou uma condição necessária à produção e compreensão dos atos ilocutórios (perguntar, pedir, prometer, declarar, exprimir emoções, ordenar, etc).
Como referenciar: Porto Editora – pressuposição pragmática na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-26 06:00:31]. Disponível em