previsão e prevenção da atividade sísmica

De todas as manifestações de geodinâmica do planeta, os tremores de terra ou sismos são, sem dúvida, aqueles que mais marcam a consciência da população, tendo em conta os seus enormes efeitos destruidores.
Durante muito tempo, a agitação telúrica foi essencialmente atribuída à cólera divina. A catástrofe de Lisboa, em 1 de novembro de 1755, desempenhou um papel importante no desenvolvimento das ideias no século XVIII. Uma pequena comunidade científica procurou encontrar explicações racionais para o fenómeno. Deram o seu contributo Benjamin Franklin (1755), John Winthrop (1755) e John Mitchell (1760), cuja aproximação conceptual representou um progresso enorme no conhecimento dos sismos: "os tremores de terra são provocados por blocos de rocha que se deslocam a muitos quilómetros de profundidade".
A previsão dos sismos baseia-se no conhecimento do risco sísmico. Com este fim, realizou-se e realiza-se em muitos países onde os riscos de ocorrência de sismos são elevados (Japão, Estados Unidos da América, China, Rússia, etc.) o inventário histórico dos sismos, com a sua localização e a sua intensidade. Entre os índices premonitórios dos sismos, registados pelas redes de estações de observação, encontram-se:
- uma diminuição da resistividade das rochas;
- uma variação do campo magnético local;
- um aumento da circulação das águas subterrâneas;
- uma variação do nível de água nos poços e no débito das fontes;
- uma atividade simples um pouco mais marcada que as pequenas vibrações habituais (ruído de fundo);
- ligeiras deformações da superfície do solo (movimentos verticais e oblíquos, detetados pelos inclinómetros);
- uma inquietude dos animais pouco tempo antes do abalo (as sepentes deixam os seus esconderijos, os animais presos tentam fugir, os cães uivam, etc.).
Em 1984, os investigadores gregos Varotsos, Alexoporelos e Nomicos publicaram os seus trabalhos, que apresentavam um método de previsão de sismos baseado na medida dos impulsos elétricos que se propagam no solo (método VAN, palavra formada pelas iniciais dos nomes dos investigadores). Este método parece, apesar dos problemas que ainda levanta, dar uma resposta satisfatória. Segundo os investigadores, "cada sismo de magnitude superior a 3,5 é precedido de um sinal electrossísmico e todo o sinal electrossísmico é seguido por um tremor de terra cuja magnitude e epicentro podem ser previstos com precisão".
Esta formulação muito imperativa dos resultados originou imensas polémicas. Os autores testaram o seu método sobre as réplicas do forte sismo que ocorreu no Golfo de Corinto em 23 de fevereiro de 1981.
Experiências de laboratório mostraram que as formações graníticas submetidas a fortes pressões emitem um intenso ruído radioelétrico logo que a pressão atinge valores próximos daqueles que provocam a fratura da rocha. Os materiais rochosos que não contêm quartzo não originam este fenómeno, pois a piezeletricidade do quartzo parece representar um papel essencial.
O método VAN parece ter dado resultados satisfatórios na Grécia. No ano de 1983, a previsão de 21 dos 23 sismos de magnitude superior a 5 fez-se com exatidão, tanto no que se refere à localização como quanto à intensidade (magnitude). Contudo, este método não permitiu prever o extremamente destruidor sismo de Kalamata de 13 de setembro de 1983, no sul do Peloponeso, embora existissem quatro estações registadoras na região.
Apesar destes problemas, o método VAN, que necessita de uma infrastrutura relativamente barata, é o melhor método de previsão atual e parece ser aplicável nas regiões onde a sismicidade é muito pouco profunda. A sua aplicação a sismos profundos, que está a ser estudada no Japão, é muito mais aleatória.
Como referenciar: previsão e prevenção da atividade sísmica in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-26 10:30:14]. Disponível na Internet: