prião

Os priões são agentes infeciosos sobre os quais existe ainda um grande desconhecimento.
De modo semelhante aos vírus, não têm uma estrutura celular, isto é, não apresentam os componentes nem as funcionalidades típicas das células (unidade básica de todos os seres vivos), havendo, por isso, grande discussão em torno da questão de se devem considerar-se como organismos vivos ou não. Embora os vírus apresentem já uma ultraestrutura extremamente simplificada (uma molécula de material genético envolvida por uma capsula proteica), os priões conseguem ter uma estrutura ainda mais simples, apresentando um tamanho cerca de 100x menor que o menor dos vírus. Tal como estes, apenas se reproduzem dentro das células do hospedeiro que infetam, mas, por oposição aos vírus, os priões apresentam-se como extremamente resistentes ao calor e radiações ultravioletas, o que dificulta a sua eliminação.
Os priões são simplesmente uma glicoproteína, isto é, uma cadeia polipeptídica (estrutura formada por aminoácidos unidos por ligações peptídicas) unida a algumas moléculas de açúcares. Não apresentam qualquer material genético e são, juntamente com os viróides, os únicos agentes infeciosos conhecidos que não possuem ácidos nucleicos (DNA ou RNA), o material responsável pela codificação e transmissão de toda a informação genética. Devido a esta característica, o mecanismo de reprodução/replicação dos priões é ainda muito obscuro e objeto de investigação, sendo a sua própria origem também uma área em estudo, já que a ausência de material genético é uma característica que não se encontra em nenhum outro componente do mundo vivo. A hipótese mais provável para a origem dos priões e sua replicação é a que aponta para o facto da cadeia polipeptídica que os constitui ser codificada por um gene incluído no material genético do próprio organismo hospedeiro, o qual se encontra habitualmente inativo, só é ativado, iniciando a produção de moléculas priónicas, quando ocorre a infeção por priões. Os priões seriam assim, à luz desta hipótese, não um organismo vivo, mas sim uma molécula produzida pelos organismos vivos que apresenta propriedades infeciosas e patológicas, para o próprio e outros organismos. Os priões são responsáveis pelas chamadas infeções lentas, as quais se caracterizam por um período longo de incubação, regra geral, de anos. São normalmente doenças crónicas, degenerativas, que atacam o Sistema Nervoso Central (SNC), de progressão lenta, com uma agressividade crescente, cujo resultado é, normalmente, fatal.
As infeções causadas por priões são extremamente difíceis de combater, em parte devido ao desconhecimento da sua ultraestrutura, modo de transmissão e de replicação, dentro da célula hospedeira, o que dificulta o desenvolvimento de medicamentos, sendo que os antibióticos conhecidos se apresentam com ineficazes, já que apenas atuam em organismos vivos.
As doenças mais vulgares, já identificadas como tendo origem priónica, são doenças do foro neurológico, como o Scrapie, que afeta os carneiros, a BSE (doença das "vacas loucas") nos bovinos, o Kuru (típico de tribos canibais da Nova-Guiné) e a doença de Creutzfeldt- Jakob, nos humanos. Alguns investigadores apontam para a hipótese da doença de Alzheimer, forma de demência senil mais vulgar na espécie humana, ser também causada por priões.
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