Primaveras Românticas

Volume que reúne a produção poética da juventude de Antero de Quental - daí o nome completo da obra ser primaveras Românticas. Versos dos Vinte Anos -, incluindo o poema Beatrice, publicado em Coimbra em 1863, e algumas poesias dispersas pela imprensa. Anteriores às influências de Proudhon e de Hegel, que nortearam a poesia social e revolucionária posta em prática nas Odes Modernas e teorizada na "Nota (sobre a missão revolucionária da poesia)" e nos opúsculos Bom Senso e Bom Gosto e A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (todos de 1865), as composições elegem como tema preferencial o Amor, nos seus múltiplos cambiantes ("Amor no mar"), muitas vezes relacionado com Deus ("Beatrice", "A uns quinze anos") e a Natureza ("Idílio sonhado"). Talvez por isso Antero questione, no curto prefácio, o "merecimento moral" destes versos (a que viria a chamar, na "Carta autobiográfica dirigida ao Professor Wilhelm Storck", de 1887, "du Heine de deuxième qualité"), atribuindo-os à "inocência" e à "fantasiadora ignorância juvenil", a "um sopro romântico, cálido mas balsâmico", que fez "rebentar tumultuariamente as nossas primaveras em borbotões de flores". Algumas composições dão voz às inquietações metafísicas ("Nuvens da tarde", "Velut umbra") e ao sentimento pessimista ("Primeiros conselhos do outono") que serão vincados na obra posterior de Antero. A coletânea inclui vários poemas posteriormente recolhidos nos Sonetos Completos (como "Beatrice", "Amor vivo", "Mãe", "Jura", "Metempsicose", "Enquanto outros combatem", "A uma mulher", entre outros), revelando-se desde logo a preferência do autor por essa forma poética, em que foi, de facto, exímio.
Como referenciar: Primaveras Românticas in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-10 03:09:54]. Disponível na Internet: