princípio da sobreposição

O princípio da sobreposição, um princípio geológico muito simples, que por si mesmo parece evidente, é o que estabelece que numa série de estratos sedimentares cuja disposição é aproximadamente horizontal, e que não sofreu alterações de posição, cada camada é mais moderna que a camada que recobre, mas mais antiga que a camada que a cobre.
Esta relação de idade não poderia ser outra no caso em que camadas de sedimento se formam a partir de uma suspensão na água ou no ar. Mas, apesar da sua simplicidade, este princípio de estratrificação por idade pode levantar algumas dúvidas. É o caso de quando os estratos ou camadas são dobrados durante a atividade tectónica, como ocorre vulgarmente em intensas deformações dos estratos de tal maneira que as camadas superiores são mais antigas que as inferiores. Os geólogos têm em atenção a prevenção deste erro, examinando detalhadamente a rocha sedimentar. Características como marcas de ondulações (ripple marks), estratificação cruzada e orientação de conchas fósseis indicam se os estratos estão invertidos ou se encontram na sua posição original.
Para saberem em cada momento qual é a posição normal e ordenada dos estratos, os geólogos recorrem a vários processos. Nos sedimentos do tipo deltaico é vulgar encontrar estratificação cruzada. É possível estabelecer uma ordem de sedimentação, tomando como referência que toda a camada que é cortada por outra é mais antiga que a primeira.
Nas grandes formações sedimentares estratificadas, como acontece no Grande Canyon, do Rio Colorado, nos EUA, existem cerca de 900 metros de estratos em disposição paralela quase horizontal.
De uma maneira mais restrita, a observação do tamanho dos grãos do material sedimentar - granoclassificação - pode constituir um critério se considerarmos, por exemplo, que o material detrítico transportado até ao mar pelos rios e torrentes é classificado pelo seu tamanho e na base da sua capacidade de transporte. Por isso, os materiais mais grosseiros, como os seixos e cascalhos, serão os primeiros a depositar-se, depois serão os de diâmetro sucessivamente mais pequeno, as areias e finalmente os limos ou lodos e as argilas.
Transportando para uma grande escala, esta mesma sequência de sedimentação pode ocorrer numa bacia oceânica, onde os movimentos eustáticos ou isostáticos que provocam o avanço ou recuo do mar podem alterar a deposição seletiva dos sedimentos ou granoclassificação. Num processo de transgressão marinha, haverá uma progressiva diminuição da granulometria dos sedimentos, desde alguns centímetros até algumas micras. Num caso de regressão marinha, sobre os sedimentos mais finos começarão a depositar-se (se não ocorrer interrupção na sedimentação) os de maior tamanho.
O princípio da sobreposição foi proposto por Nicolaus Steno, em 1669, tendo por base observações realizadas sobre os materiais sedimentares do Oeste da Itália.
Há casos em que o princípio da sobreposição não se aplica. São os casos dos terraços fluviais, das dobras deitadas, dos filões-camada ou soleiras e dos sedimentos depositados nas grutas.
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