prosa

Termo que designa um discurso oral ou escrito que não emprega estruturas métricas, transposição de palavras ou características rítmicas próprias da poesia. O traço distintivo entre prosa e poesia é a musicalidade desta e a maior utilização de processos imagísticos, como a metáfora.
Na prosa, há que distinguir a prosa literária da não-literária. Para ser literário, um texto tem de revelar uma intenção estética e não apenas comunicativa.
Para caracterizar a prosa, outros aspetos têm ainda de ser tidos em conta. O primeiro elemento a referir é a figura do sujeito que é entendida, na prosa, como a expressão do "não eu", isto é, o sujeito procura os seus interesses numa realidade exterior, fora do referente e do referido. A personagem ou personagens são os "outros", ao contrário do que acontece geralmente na poesia. Um outro aspeto a salientar é a linguagem predominantemente denotativa da prosa, utilizando um discurso analítico, objetivo, real e pouco ambíguo. A prosa não apresenta divisões rítmicas intencionais, pois a sua preocupação principal não é a transmissão da emoção pela musicalidade, mas a expressão do pensamento e do pormenor, através de estruturas sintáticas lógicas e claras, desenvolvendo-as num processo de continuidade coerente e coeso. Ao contrário da poesia que tem predominantemente uma função poética, a prosa possui várias funções. Na prosa reconhecem-se diferentes formas: narrativa, oratória, poética, ensaística, científica, dramática, informativa, epistolar, entre outras. De referir que alguns textos escritos em prosa são considerados prosa poética, dada a musicalidade, o ritmo e os processos imagéticos que o autor imprimiu ao texto. A prosa poética apareceu no século XVIII, no Romantismo, encontrando um grande desenvolvimento a partir do Simbolismo.
Relativamente ao poema em prosa, trata-se de uma forma de texto que constitui uma dualidade, tal como o próprio nome indica: o primeiro termo refere-se à matéria (poesia) e o segundo, à forma, que graficamente, apresenta a disposição da prosa. Pode encontrar-se exemplos de poemas em prosa em Baudelaire, Mallarmé, Óscar Wilde, Carlos Drummond de Andrade, Octávio Paz, Pablo Nureda, Marinetti, entre outros escritores.
Mencione-se que Molière, numa cena da peça de teatro Le Bourgeois Gentilhome, explica a diferença entre prosa e poesia, com o objetivo de satirizar a ignorância de um fidalgo endinheirado que pretendia ser cortesão.
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