Protetorado Britânico da Índia

Na segunda metade do século XVIII o grande pilar de participação britânica na Índia era a Companhia das Índias Orientais, estrategicamente colocada em Bengala e noutros lugares do território. O poderio da Companhia era de tal ordem que definia a política inglesa na área, sempre de acordo com os seus interesses. Em 1773, como reconhecimento dos serviços prestados à Coroa, e como forma de resolver o problema da falta de quadros administrativos governamentais, o Parlamento inglês concede-lhe o estatuto semioficial de agência governamental.
Na prossecução dos seus objetivos, a Companhia apoiava-se na superioridade militar do exército que mantinha, mas o suborno, extorsão e manipulação política dos líderes indianos eram usados frequentemente e com sucesso. A tal ponto que a desunião entre reinos e principados indianos facilitaram o caminho para a subjugação britânica do subcontinente e de regiões contíguas como a Birmânia. De tempos a tempos, registava-se alguma resistência a este avanço colonizador, quase sempre violenta, quase sempre inconsequente, como a série de revoltas Sikhs, no Punjab, entre 1845 e 1849.
A anexação do Punjab pela Companhia é dirigida em larga medida por James Andrew Broun Ramsay, senhor de Dalhousie, que vai conquistar uma série de reinos e cuja política vai provocar grande hostilidade e tensão na zona. À luz dos conceitos ocidentais, a Índia vai conhecer melhoramentos materiais e reformas administrativas: o Governo de Dalhousie fomentou a construção de linhas de caminho de ferro, pontes, estradas, sistemas de irrigação, telégrafo, entre outros; além disso, interferiu nos costumes locais (por exemplo, restringiu práticas religiosas como aquela que previa a imolação das viúvas nas piras funerárias dos maridos); estas inovações não entusiasmaram os Indianos, pelo contrário, a maioria desconfiava delas. Além disso, a atitude de desprezo do governante inglês para com os valores e cultura indianos provocava um grande ressentimento. A partir de 1857 vão começar os grandes problemas e inquietações. A revolta começa a grassar, inclusivamente entre os soldados indianos, hindus e muçulmanos, empregados pela Companhia, os chamados "sipaios", registando-se um levantamento geral em Deli, em 10 de maio desse ano. A origem desse motim esteve no facto de os Ingleses usarem gordura de vaca e de porco na fabricação de um novo tipo de cartucho. A revolta alastrou e passa a expressar a oposição geral ao governo inglês. A cidade foi ocupada, centenas de europeus foram massacrados e a residência do governador em Lucknow foi cercada. Deli foi libertada em novembro e os combates prosseguiram até 1859, embora desde junho de 1858 os principais líderes revoltosos estivessem neutralizados.
Seguiu-se um período marcado por brutais represálias onde foram mortos alguns milhares de pessoas, a maioria das quais sem qualquer julgamento. De qualquer modo, as autoridades de Londres chegaram à conclusão que o governo da Companhia deixara de responder às necessidades da nação. Naquele mesmo ano de 1858 o Parlamento aprovou o Ato para o Melhor Governo da Índia, o qual transferia a administração do território das mãos da Companhia das Índias para a Coroa britânica.
Muitos dos abusos registados no período anterior são erradicados ou modificados com o novo governo. São aprovadas importantes reformas fiscais, administrativas, judiciais, educativas e sociais; por outro lado, a política de obras públicas, iniciada por Dalhousie, é largamente ampliada. Os governantes britânicos herdaram vários problemas extremamente difíceis, incluindo o empobrecimento da maioria da população indiana, o ressentimento geral contra o estatuto colonial e o crescente espírito nacionalista. Desastres como a grande fome de Orissa em 1866, que matou 1 milhão e meio de pessoas, contribuíram substancialmente para a perturbação política.
Em 1876, o primeiro-ministro Disraeli proclamou a rainha Vitória imperatriz da Índia. No entanto, a fase final do século XIX e os primeiros anos do século XX representam um período durante o qual começam a fermentar ideias de contestação social e política, muitas vezes entre elites intelectuais indianas formadas no Ocidente. Estimulado por vigorosas campanhas de propaganda na imprensa local, reuniões clandestinas e a formação de organizações políticas secretas, o nacionalismo indiano começava a ameaçar seriamente a posição britânica no país.
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