psicologia analítica

A psicologia analítica foi fundada pelo psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1962) que, inicialmente, tinha por modelo a psicologia de Sigmund Freud (1856-1939), ou seja, a psicanálise (sistema da psicologia que parte do conceito da libido, entendida como uma energia instintiva de carácter sexual). Apesar de ter sido um dos maiores colaboradores de Freud, inevitavelmente, rompeu com o seu mestre por volta de 1912, com a publicação do livro A Psicologia do Inconsciente.
A maior divergência entre os dois estava relacionada com o facto de Freud insistir que toda a explicação dos comportamentos do homem, assentava numa problemática sexual, ou seja, ele acreditava "cegamente" que as causas dos conflitos psíquicos envolviam sempre um trauma de natureza sexual. Carl Jung, não conseguiu aceitar esta certeza uma vez que defendia que grande parte do inconsciente nada tinha a ver com os instintos sexuais. Para ele, a libido é uma energia vital geral que assume várias formas podendo, em determinadas ocasiões, apresentar-se como uma energia sexual (como Freud postulava) e outras vezes, por exemplo, como forma de comportamento criativo.
Jung, um dos principais génios da psicologia do século XX, desenvolveu o seu sistema teórico que originalmente chamou de "Psicologia dos Complexos" e que mais tarde foi "batizado" como "Psicologia Analítica". Para o psiquiatra austríaco Alfred Adler (1870-1937), complexos são um grupo de ideias ou de representações mentais com grande carga emotiva que, por resultarem de vivências chocantes ou de conflitos não resolvidos, intervêm de forma decisiva na evolução da personalidade.
Através da análise das formas como o inconsciente se manifesta, ou seja, através de uma interpretação dos complexos (reações não habituais), dos atos falhados (lapsos ou falhas da linguagem que traduzem desejos inconscientes), dos sonhos pessoais e dos desenhos que os seus pacientes faziam, Jung descobriu que existia uma certa semelhança entre eles. Assim, chegou à sua descoberta mais importante: o "inconsciente coletivo". Para ele, para além das pessoas apresentarem um consciente e um inconsciente pessoal (já estudados e comprovados por Freud), apresentam também um outro nível do inconsciente muito profundo que é comum a todos os humanos. Nesta zona do inconsciente, a do inconsciente coletivo, existem figuras, símbolos e conteúdos arquétipos de caracter universal, resultantes da experiência coletiva.
Arquétipos são imagens primitivas entendidas como representações figurativas ou simbólicas, com características de universalidade, especialmente dentro de uma mesma cultura, transmitidas de geração em geração. Por exemplo, todos nós temos conhecimento e representação mental do famoso mito de Adão e Eva, comendo o "fruto da árvore proibida".
Assim, em resumo, o inconsciente coletivo, não é mais do que uma zona do inconsciente repleta de material representativo de coisas comuns a toda a humanidade, como, por exemplo, a forte sensação universal e intuitiva da existência de Deus. Quando esse material se torna acessível ao consciente, transforma-se numa poderosa força orientadora do comportamento humano, especialmente, no que diz respeito, aos aspetos éticos e religiosos.
Para enriquecer mais a sua psicologia analítica, Adler criou um modelo do nosso aparelho psíquico que apresenta quatro planos responsáveis pela nossa vida psíquica. No nosso consciente, temos dois planos ou níveis: um nível do Eu (auto-identidade) e da Persona (máscara social, ou seja, a forma como agimos em situações sociais) e um nível que representa o conhecimento da realidade externa. No nosso inconsciente, aparecem mais dois níveis: o do inconsciente pessoal, constituído pela Sombra (conjunto dos aspetos do inconsciente coletivo que são inaceitáveis pelo indivíduo), pela Anima (quando o homem possui determinadas características psíquicas femininas que não aceita e remove-as para o inconsciente) ou pelo Animus (quando a mulher apresenta determinadas características psíquicas masculinas) e pelo Selbest (estrutura psíquica que só exerce as suas funções quando o indivíduo aprende a lidar com a sua Sombra e com a sua Anima ou o seu Animus); e do inconsciente coletivo, constituído pelos arquétipos e pela energia psíquica.
A psicologia analítica defende uma natureza bipolar (entre o extrovertido e o introvertido) do espírito humano. Para os extrovertidos, os acontecimentos externos assumem máxima importância, ou seja, são aqueles cuja personalidade se dirige para o exterior, dando mais valor aos outros do que a si próprios. São mais homens de ação do que de pensamento. Por sua vez, os introvertidos tendem a evitar o mundo da ação e das atividades sociais, orientam-se pelo seu interior, dando mais valor às suas próprias ideias e sentimentos.
Este psicanalista também introduziu um modelo da atividade mental que é composta por quatro formas principais agrupadas em dois pares de polos opostos: o pensamento e o sentimento, a perceção sensorial (registo do exterior através dos órgãos dos sentidos) e a intuição. Jung combinou este modelo da atividade mental com a dupla extrovertido-introvertido e desenvolveu a sua teoria dos oito tipos-base dos indivíduos.
Toda a psicoterapia analítica tem como objeto o inconsciente. Neste modelo, tenta-se trazer o que está reprimido no inconsciente (o que não é aceite pelo próprio indivíduo) para o consciente. No caso de um paciente masculino, pretende-se que ele aprenda a lidar com o seu inconsciente feminino (Anima), dando-lhe utilidade como, por exemplo, aproveitando os seus aspetos intuitivos e artísticos.
A psicologia analítica é bem mais ativa do que a psicologia de Freud, há uma constante intervenção do terapeuta na consulta, através de interpretações e sugestões relacionadas com aquilo que o paciente fala. Apesar de ter discordado das ideias fixas de Freud acerca da natureza sexual dos humanos, Carl Jung também tinha uma ideia fixa: valorizava, indiscutivelmente, uma natureza religiosa do homem e encorajava os seus pacientes a acreditar em Deus durantes as consultas.
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