psicopedagogia

A psicopedagogia é o ramo da psicologia que estuda detalhadamente os comportamentos infantis para melhorar os métodos didáticos e pedagógicos.
A psicopedagogia considera a razão, a emoção e a relação como elementos constitutivos da cognição, tornando-se assim essencial para um melhor desempenho escolar.
No início, o objeto de estudo da psicopedagogia foram os sintomas das dificuldades de aprendizagem - desatenção, desinteresse, lentidão, astenia, etc., e, assim, o seu objetivo seria o de remediar esses sintomas. A dificuldade de aprendizagem seria apenas um mau desempenho, um produto a ser tratado. Além disso, a psicologia e a pedagogia são vistas como elementos justapostos. Dentro dessa perspetiva, a psicologia é apenas estimuladora, normativa e reguladora da vida intelectual. De acordo com essa visão, a psicopedagogia, na realidade, não seria um saber independente dotado de fundamentos próprios, mas uma síntese dos múltiplos conhecimentos psicológicos e pedagógicos. Entretanto, tratar os sintomas revelava-se insuficiente para o êxito escolar, e começa-se então a entender o sintoma como sinal e emergência de uma desarticulação dos diferentes aspetos de aprendizagem, a saber: o aspeto afetivo, o aspeto cognitivo e o aspeto social. A partir do momento em que se consideram os sintomas como valores relativos, a psicopedagogia muda de objeto de estudo. Começa-se a considerar a génese da aprendizagem.
A psicopedagogia entra, assim, numa nova fase onde é possível dizer que o seu objeto passa a ser o processo de aprendizagem, e os seus objetivos, remediar ou refazer esse processo em todos os seus aspetos. A experiência clínica conduz à constatação de que a relação psicopedagógica não se estabelece entre o psicopedagogo e o processo de aprendizagem, mas entre o psicopedagogo e o sujeito desse processo, o ser cognoscente, ou seja, o ser em processo de construção do conhecimento. Isso implica que esse ser seja sujeito na construção do seu próprio conhecimento e de sua autonomia, ao mesmo tempo em que é determinado pelas dimensões que o constituem. A autonomia do sujeito corresponde à sua ação: quanto mais criativa e divergente em relação ao que já está instituído, mais autónomo será. Além disso, a atividade criadora associa e integra o que estava dividido, ao mesmo tempo em que desequilibra as formas já articuladas permitindo uma nova organização.

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