pulsão

Impulso, instinto ou pulsão, do ponto de vista analítico, deve ser entendido como um processo dinâmico consistindo numa carga energética que faz tender o organismo, através de um trabalho, para um fim, a descarga.
Tem origem numa fonte somática: a fonte é o local ou sistema onde surge uma excitação de carácter corporal e que, para ser eliminada, tem de sofrer uma descarga, diminuindo assim a tensão.
É de inicio qualquer coisa que não tem representação psíquica, é algo de somático que se vai associar a uma representação e desencadear um afeto. Para Melanie Klein, a pulsão é sempre ambivalente, o amor do objeto não se separa da sua destruição, a ambivalência torna-se então uma qualidade do próprio objeto.
Para Freud, na sua primeira teoria das pulsões, o ódio encontra a sua origem em pulsões de auto-conservação, o amor encontra a sua origem em pulsões sexuais. A oposição das pulsões de vida e das pulsões de morte, enraíza a ambivalência num dualismo pulsional.
Nada se passa no psiquismo sem uma energia subjacente, energia psíquica que deriva das pulsões. Freud dá relevância à pulsão sexual. Qualquer representação precisa de energia para existir e se uma representação perder a sua carga energética, perde a sua existência.
A energia de uma pulsão sexual, a libido, tem dois tipos de orientação: a libido investida no próprio, chamando-se de libido narcótica, onde o indivíduo se fecha sobre si mesmo, e a libido investida no objeto, a libido objetal. Quando aumenta uma, diminui a outra. À medida que o indivíduo vai evoluindo, diminui a libido narcísica e aumenta a objetal, pois só se pode investir no outro quando se investiu em si próprio. Se não estivermos bem investidos, não podemos investir em ninguém.
Um afeto surge através da energia, numa descarga, quando a representação atinge a camada percetiva. As pulsões têm dois tipos de representantes, os afetos e as representações.
O destino da energia associada à representação é sempre a mesma: a pulsão é redimida, não tem o suporte da energia ou então tendo sido recalcada a representação, a energia manifesta-se através do afeto ou este transforma-se em angústia.
As excitações pulsionais vêm do interior do organismo e agem de uma forma constante. É eliminada provisoriamente através da satisfação; como não se eliminam e nem sempre se satisfaz, há mecanismos quer para as satisfazer quer para adiar a satisfação.
Todos os seres humanos orientam-se pelo princípio do prazer, toda a nossa vida é regulada pela energia pulsional, tal como o nosso desenvolvimento. O exterior não tem influência nenhuma, não há reflexos de fuga que impeçam a pulsão interior.
Podem-se designar, quanto às pulsões, tanto a sua fonte ou origem, quanto o seu fim ou objeto:
Fonte da pulsão - órgão ou parte do corpo de onde emana a excitação, quando emerge uma necessidade.
Fim ou alvo da pulsão - modo como se satisfaz a pulsão; a finalidade é reduzir essa necessidade até que mais nenhuma ação seja necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento.
Objeto - ser através do qual se atinge a satisfação.
Ação da pulsão - fator motor da pulsão; é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer o instinto e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente.
Por exemplo, o sadismo é uma pulsão ativa e tem como fim pulsional o fazer sofrer o outro; o masoquismo é uma pulsão passiva e o seu fim é o de ser atormentado.
Na vida psíquica, os instintos não são puros, há sempre uma parte de instinto de vida e uma parte de instinto de morte. O instinto de morte é a agressividade, o agir sobre o meio para que se torne favorável ao indivíduo, e o desejo de voltar a um estado sem tensões pré-natal; o instinto de vida preserva o prazer e o bem estar, tem por finalidade a obtenção de prazer.
Estes instintos são "a suprema causa de toda a atividade". Freud reconhecia os aspetos físicos dos instintos como necessidades, enquanto denominava os seus aspetos mentais de desejos. Ao examinar analiticamente um determinado comportamento, Freud considerava que a pessoa procurava satisfazer, por essa atividade, as suas pulsões psicofísicas subjacentes. O trabalho analítico envolve a procura das causas dos pensamentos e comportamentos, de modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma necessidade que não é satisfeita por um pensamento ou comportamento particular. No entanto, vários pensamentos e comportamentos parecem não reduzir esta tensão. De facto, eles aparecem para criar mais tensão ou ansiedade. Estes comportamentos podem indicar que a expressão direta de um instinto pode ter sido bloqueada.
Na segunda teoria das pulsões freudiana, o prazer não é mais que um conceito económico. O que é necessário é que cada vez que aumenta uma tensão, ela seja descarregada, mais do que isso, que não haja grandes alterações de tensão (não deixar ultrapassar muito o valor normal, reduzindo-o imediatamente).
Nesta teoria, o que interessa são as variações. Embora o princípio do prazer continue a ser importante, ele obedece a um outro princípio - o princípio da constância: tentar manter um certo equilíbrio, eliminando as tensões. Não interessa se existe prazer ou desprazer, o que interessa é que o estado de energia se mantenha baixo.
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