Quanto Mais Quente Melhor

Comédia realizada em 1959 por Billy Wilder sob o título Some Like it Hot. Considerada a obra maior deste realizador e uma das mais bem conseguidas comédias de todos os tempos, Some Like it Hot (no seu título original) consagrou Marilyn Monroe e confirmou os dotes burlescos de Tony Curtis e especialmente de Jack Lemmon. Baseado num argumento assinado por Wilder e Robert Thoeren, a ação situa-se em Chicago, durante o período da Lei Seca. Os protagonistas são dois músicos: Joe (Tony Curtis), um saxofonista e Jerry (Jack Lemmon), um contrabaixista, ambos a braços com uma crise, visto rarearem as ofertas de emprego. Uma noite, são testemunhas involuntárias de um ajuste de contas entre bandos rivais de gangsters, num episódio baseado em factos reais que ficaria conhecido pelo "Massacre de S. Valentim". Para evitar serem eliminados pelo chefe da quadrilha (George Raft), decidem disfarçar-se de mulheres, assumindo novas identidades: Josephine e Daphne. Integram o corpo duma orquestra feminina itinerante e partem para a solarenga Flórida. Durante a viagem de comboio, conhecem a ingénua e sensual Sugar Kane (Marilyn Monroe) que alimenta o secreto desejo de se casar com um milionário da Flórida. Chegados ao seu destino, Daphne é logo assediada por Osgood Fielding III (o ator Joe E. Brown, que conhecera o seu auge durante a época do vaudeville e do cinema mudo, e que Wilder insistiu em recrutar), um idoso milionário que se apaixona à primeira vista. Joe decide conquistar o coração de Sugar e disfarça-se de milionário do petróleo que precisa duma ajudinha para ultrapassar a timidez. Mas o que os dois músicos não se apercebem é que no mesmo hotel em que estão hospedados se realiza uma convenção de gangsters... Esta deliciosa comédia de enganos produziu gags que se tornaram célebres: a cena de sedução de Curtis a Monroe na praia, o tango dançado entre Daphne e Osgood, a burlesca perseguição dos mafiosos aos dois músicos no átrio do hotel e, finalmente, o brilhante final em que Joe revela a sua verdadeira identidade masculina a Osgood e obtém como resposta um "ninguém é perfeito". Para além do festival de humor, salientam-se os números musicais protagonizados por Marilyn Monroe, que neste filme celebrizou as canções "I'm Through With Love" e a inesquecível "I Wanna Be Loved By You", ambas da autoria de Adolph Deutsch. O filme conseguiu um Óscar na já extinta categoria de Melhor Guarda-Roupa em Filme a Preto e Branco e merecidas nomeações de Melhor Realizador (Wilder) e Melhor Ator (Lemmon).
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