Questão da barca Charles & George

Charles & George é o nome de um navio francês por que ficou conhecido um grave incidente diplomático entre Portugal e França, entre 1857 e 1858. A questão deu-se quando o navio foi aprisionado e o seu capitão condenado pela armada portuguesa por se suspeitar que efetuava tráfico de escravos entre Moçambique e a Ilha de Reunião. Como a França recorreu da sentença, o navio foi enviado para Lisboa e aí ficou a aguardar uma decisão final. O Governo português acabou por ser coagido a libertar o navio bem como o seu capitão por pressão quer da França, quer da Inglaterra, que se imiscuiu de responsabilidades no caso. Lembremos que este incidente se enquadra num período em que se afirmavam os ideais antiesclavagistas do século XIX. Se, por um lado, estados poderosos como a Inglaterra reconheciam e se batiam pela abolição da escravatura dentro dos seus limites fronteiriços, a política colonial estabelecida ainda exigia a força de trabalho dos negros, ideia reconhecida publicamente por Napoleão (em 1802) quando anulou as disposições antiesclavagistas da Revolução Francesa, que reestabeleceu a escravatura nas colónias francesas. Até aos princípios do século XX as lutas abolicionistas mantêm-se, em particular nos terrenos coloniais.
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