Questão do Biafra

Estado efémero formado pela separação dos Ibos (muito cristianizados) do Sudeste da Nigéria que surge na sequência de antigos antagonismos entre estes e populações do Norte, muçulmanas e tradicionalistas (Haússas, Peuls), e do Sudoeste, muçulmanas e cristãs (Iorubas). O Biafra contava então cerca de 14 milhões de habitantes, um quarto da população da Nigéria nessa época.
É uma região rica em petróleo, gás natural e carvão, dos quais era produtora de 60% do total do país.
Em 1964, acontece um boicote no Sul às eleições federais. Ironsi, general ibo, chefe de Estado, suprime as regiões. Mas a 1 de agosto de 1966 é derrubado; é reposta a Federação, enquanto que etnias do Norte massacram os ibos. Cerca de 2 milhões refugiam-se no Sudeste. A 28 de maio de 1967, Gowon, novo chefe de Estado, divide a Nigéria em 12 regiões. A 30 de maio, o Biafra, habitado maioritariamente pelos ibos, proclama a sua independência em relação àquele país. Assume a presidência o coronel Ojukwu. Gowon Haússa, presidente nigeriano, logo envia contingentes militares para, de forma rápida, reprimir a intentona secessionista dos Ibos. Toma então a capital rebelde Port Harcourt. Os rebeldes biafrenses tomam o Benim e dirigem-se para Lagos, capital da Nigéria até 1982. Em setembro, porém, batem em retirada. A OUA (Organização da Unidade Africana) condena a secessão em nome da inalterabilidade das fronteiras herdadas da descolonização. Todavia, em 1968, a Tanzânia reconhece o Biafra, tal como o Gabão, a Costa do Marfim e a Zâmbia, para além de ser ajudado materialmente por Portugal, Israel e França. Lagos era apoiada pelo Reino Unido e ex-URSS. O Governo Federal empreenderá então um bloqueio eficaz sobre o Biafra a 18 de maio de 1968, o que torna esta região como que uma "fortaleza" sitiada. No final deste ano, as regiões do Biafra produtoras de alimentos caem; a fome alastra, matando cerca de 2 milhões de biafrenses. Ojukwu refugia-se na Costa do Marfim, depois de ceder os seus poderes ao general Effiong, que assina a capitulação em Lagos, a 2 de janeiro de 1970.
Na prática, a secessão do Biafra tinha um forte cunho económico em termos geostratégicos, para além de luta racial. As maiores reservas de hidrocarbonetos nigerianos, que possuía, logo despertaram "apetites" por grande parte de companhias internacionais: a seu lado, os franceses da Elf e os americanos da Gulf Oil, de forma sub-reptícia; com o Governo Federal, o Reino Unido e a BP (British Petroleum).
Com receio de se iniciar um conjunto de secessões em África, a OUA viu com bons olhos o fim da experiência do Biafra.
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