Quinta da Bacalhoa

A denominação tradicional desta quinta, situada em Azeitão, deve-se possivelmente à alcunha de "Bacalhau" que tinha D. Jerónimo Manuel, Capitão-Mor das naves da carreira da Índia, marido de D. Maria de Mendonça e Albuquerque, herdeira da Quinta da Bacalhoa, que foi pertença de Afonso de Albuquerque, filho do vice-rei da Índia com o mesmo nome.
Após ter passado por vários proprietários, em 1937 a Bacalhoa foi comprada pela senhora Herbert Scoville, que a restaurou segundo o modelo original representado nas aguarelas de Blanc, pintadas em 1898. Depois da morte desta senhora em 1967, a quinta ficou na posse do seu filho, que a soube conservar.
A Casa da Bacalhoa constitui um belíssimo exemplo da arquitetura civil renascentista de meados do século XVI - onde em todas as fachadas é notória a preocupação pela simetria dada pela distribuição alternada de portas, janelas e frestas -, apesar de ainda mostrar alguns elementos duma primitiva edificação, como as abóbadas ogivais dos finais de Quatrocentos e os seus torreões quinhentistas. O gosto italianizante domina, na sua planta em "L", os alçados decorados ao sabor renascentista. Arcadas assentes sobre colunatas, como é exemplificativa uma das fachadas, marcada por loggia, ornada de típicos medalhões com bustos esculpidos e janelas sobrepujadas por pequenos nichos ocupados com bustos.
O portão abre para um desafogado pátio, quadrangular, onde, à esquerda, se ergue a casa de traços classicizantes. A grandiosa escadaria de acesso ao primeiro andar aparece totalmente recoberta por policromos azulejos de motivos geométricos.
Do lado oposto à casa fica o surpreendente jardim, dividido em compartimentos que enquadram uma fonte, seguido por pomar ordenado e um grande tanque quadrado delimitado por um pavilhão de telhado piramidal. Este destaca-se pelos seus magníficos painéis de azulejos do século XVI, um dos quais datado de 1565 e assinado por Eneas Vico, e pela influência exercida na evolução da casa nobre portuguesa. Arquitetonicamente, o pavilhão do lago, também chamado "Casa de Pesca", segue o esquema italianizante da casa - as arcadas assentes diretamente em colunas e os pequenos nichos a sobrepujar as aberturas das portas.
No jardim, para além do tanque, encontra-se hoje uma vinha circundada por vários pavilhões abobadados, guardando no seu interior algumas pedras de altar, devendo estes ter feito parte do percurso de uma Via Sacra.
Os painéis de azulejos, figurando deuses fluviais, revestem a loggia, testemunho decorativo mais antigo, apresentando molduras entrelaçadas ao gosto maneirista flamengo e, segundo Santos Simões, da autoria de Marçalo de Matos - o discípulo português do ceramista flamengo Filipe de Góis.
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