Radcliffe-Brown

Antropólogo social inglês, Alfred Reginald Radcliffe-Brown nasceu em 1881, em Birmingham, na Grã-Bretanha. Após estudar Antropologia em Cambridge, levou a cabo trabalhos de campo nas Ilhas Andaman (1906-1908) e no oeste da Austrália (1910-1912), que serviram de base para as obras The Andaman Islanders (1922) e The Social Organization of Australian Tribes (1930).
Nestes trabalhos, Radcliffe-Brown desenvolve muitas das teorias e conceitos em que fundou todo o seu pensamento antropológico e social. Prestando especial atenção às questões da organização familiar e à estrutura do parentesco, Racliffe-Brown procurou explicar a realidade social como um sistema ativo em que os diferentes elementos interdependentes funcionam consistentemente para o equilíbrio geral. Esta perspetiva estrutural-funcionalista, que dominou durante várias décadas a antropologia social, foi, nesta área do conhecimento, essencialmente desenvolvida por Bronislaw Malinowski e pelo próprio Radcliffe-Brown, que pretendia, através do estudo comparativo dos povos ditos primitivos, descobrir as leis gerais sobre o funcionamento das sociedades humanas. Apesar disso, as suas maiores contribuições reportam-se ao campo teórico e menos à etnologia (que distinguia claramente da antropologia social, por considerar aquela uma atividade meramente descritiva), e encontram-se presentes nas suas obras mais importantes: Structure and Function in Primitive Society (1952) e Method in Social Anthopology: Selected Essays (1958), em que Radcliffe-Brown deixa bem claras as suas posições estruturais-funcionalistas e a importância que atribui aos conceitos de "processo social" e "estrutura social", por si unidos no conceito de "função".
Radcliffe-Brown desenvolveu, em grande parte, o seu trabalho académico e de docência fora da Grã-Bretanha. Foi professor de Antropologia na Universidade da Cidade do Cabo (1921- 1925), Sidney (1925-1931) e Chicago (1931-1937), antes de regressar à Universidade de Oxford, em 1937. Professor dedicado e reputado, Radcliffe-Brown foi um dos mais importantes nomes da Antropologia Social contemporânea, alcançando vasto reconhecimento científico e académico, que lhe valeram, entre outras distinções, a presidência do Instituto Real de Antropologia (Londres), entre 1939 e 1949.
Radcliffe-Brown morreu em 1955, em Londres, tendo deixado um grande conjunto de obras como, por exemplo, The Tribes of Western Austrália (in Journal of the Royal Anthropological Institute, 43, 1913); The Definition of Totemism (in Anthropos, 9, 1914); Notes on Totemism in Eastern Australia (in Journal of the Royal Anthropological Institute, 59, 1929); Kinship and Marriage (1950, com D. Forde).
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