radiação de Cherenkov

A radiação de Cherenkov foi descoberta em 1933 pelo físico russo Pavel Alexeievich Cherenkov (1904), que descobriu que, quando partículas muito rápidas, ou dotadas de uma grande energia, atravessam uma substância transparente, provocam uma emissão luminosa de cor azul-clara mais ou menos intensa. Esta radiação observa-se, por exemplo, num reator nuclear moderado com água.
Em 1937, os físicos soviéticos Ilja Michailowich Frank e Igor Jewgenjewich Tamm conseguiram interpretar este efeito: nenhum corpo físico pode mover-se mais rapidamente que a luz no vácuo, isto é, a uma velocidade superior a 299 792,458 quilómetros por segundo. Esta conclusão é um postulado da teoria da relatividade de Einstein, e pode ser comprovada através de muitas experiências.
Cherenkov, Tamm e Franz receberam, em 1958, o Prémio Nobel da Física pelas suas descobertas.
Um eletrão rápido, isto é, muito energético, é capaz de superar 224 900 quilómetros por segundo, exatamente a velocidade da luz na água. Um eletrão, ao atravessar um depósito cheio de água, pode apresentar uma velocidade maior do que a da luz neste meio, e produz uma emissão azulada com uma envolvente cónica, de eixo coincidente com a direção do seu movimento.
É equivalente ao efeito de Mach em aerodinâmica, quando se rompe a barreira do som.
A direção e a intensidade da radiação de Cherenkov pode medir-se com células fotoelétricas, pelo que é possível calcular a energia e a massa de partículas muito energéticas. Com os detetores de Cherenkov, podem detetar-se partículas que são demasiado rápidas para provocar uma densidade de ionização suficiente para serem observadas numa câmara de bolhas.
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