Ragnarok

A palavra Ragnarok provém do islandês ragna rok que significa "destino fatal dos deuses", tendo evoluído depois para ragna rkkr ("crepúsculo dos deuses").
Também referido como Ragnarök, era na mitologia germana e escandinava o dia em que acabariam os mundos humano e divino. Este dia estava predestinado desde o início da criação universal e os deuses já sabiam que iriam morrer, destruídos pelas batalhas entre as suas forças e as maléficas.
Terríveis presságios anunciariam a vinda do dia de Ragnarok, entre os quais o nascimento da Serpente de Midgard, do Lobo Fenris e da deusa dos infernos, Hel. Depois deste dia, seria criado um novo mundo pelos filhos dos deuses que tinham morrido, e o paraíso que substituiria o Valhalla chamar-se-ia Idavoll.

Em tempos, os deuses Aesir tinham encarcerado as três criaturas filhas de Loki e da gigante Angerboda (Mensageira do Mal), cujo nascimento anunciava o dia de Ragnarok: a Serpente de Midgard, o lobo Fenris e a deusa Hel.
Hel, cujo corpo era meio azul e o olhar assassino, tornou-se deusa dos mortos e foi mandada para o inferno, Nifleheim, que também pode ser conhecido como Helheim (casa de Hel) ou até como Hel. O Helheim era nove vezes maior que o mundo e as divisões estavam todas fechadas com grades intransponíveis. Para este sítio iam as pessoas que não tinham morrido no campo de batalha ou em qualquer outro tipo de luta; os guerreiros mais corajosos em combate iam para o Valhalla.
O lobo Fenris era um animal monstruoso e assustador que crescia muito todos os dias, aterrorizando os deuses. Um dia, estes decidiram enclausurá-lo e propuseram-lhe um jogo que consistia em prendê-lo com diversos materiais durante um certo período de tempo para verificar se ele se conseguia soltar. O certo é que ele conseguia sempre quebrar as correntes de todo e qualquer material.
A certo altura, um anão fez a Gleipnir, um delgado fio feito de coisas que não existiam e que, assim sendo, não podia ser quebrado: a respiração de um peixe, o som dos passos de um gato, as raízes de uma montanha, a saliva de um pássaro, os tendões de um urso e a barba de uma mulher.
Apercebendo-se da artimanha dos Deuses, Fenris disse que só se deixaria prender se algum dos deuses pusesse a mão na sua boca. O único dos deuses que teve coragem para colocar a mão na boca do lobo foi Thor, o deus da guerra, que viu a sua mão ser decepada.
Os deuses atravessaram as mandíbulas de Fenris com uma espada e prenderam-no a uma rocha dentro de uma caverna de onde só saiu no dia de Ragnarok.
A terceira filha de Loki e Angerboda era a Serpente de Midgard ("Serpente do Mundo"), que também podia ser chamada Jörmungand. Esta serpente cresceu até se enrolar no mundo inteiro. O deus Thor tentou matá-la com o seu martelo Mjöllnir antes do dia de Ragnarok mas sem sucesso, apenas tendo conseguido atirá-la ao mar.

O dia de Ragnarok aparece descrito nos Edda poéticos, no poema Völuspa, também conhecido entre os povos germânicos como Götterdämmerung, onde se fala do destino dos deuses e dos homens, proclamando a destruição dos Nove Mundos pertencentes ao infernal reino de Hel.
O poema anuncia que, com a chegada deste dia, o mundo sofrerá catástrofes assustadoras:
O lobo Fenris, filho de Loki ("Ar"), um ser demoníaco, quebrará a corrente Gleipnir e engolirá o Sol e a Lua;
Clullinkambi, Pjalarr e o galo vermelho, os três galos dos infernos, cantarão assustadoramente;
Haverá terramotos violentos a sacudir a Terra e Yggdrasill, a Árvore do Mundo, tremerá e será devorada pelo dragão que lhe rói as raízes;
O barco Naglfari, feito de unhas de mortos, partirá então do Sul carregando os perversos gigantes do fogo e do gelo, filhos de Muspell;
Na planície de Vigrid dar-se-á a batalha final, entre os deuses e os heróis que tinham já partido para a última morada o Valhalla, ao soar o toque da trompa de Heimdall;
O demónio Surtr mata Freyr e a Serpente de Midgard, que inundou o mundo ao sair das águas do mar, será morta por Thor e este, por sua vez, também morrerá, envenenado por ela;
Vidar, filho de Odin, matará o lobo Fenris depois deste engolir o pai; Garmr e Tyr, Heimdall e Loki matam-se reciprocamente;
O mundo será por fim totalmente incendiado pelo demónio Surtr, o Negro. Este demónio comanda o barco Naglfari e invade o Valhalla passando pelo arco-íris Bifrost que liga o mundo dos deuses ao dos Homens.
Os assassinos e os perjuros expiarão os seus pecados entrando pela porta Nastrond, uma das do inferno, feita de cabeças de serpentes que expelirão um veneno mortal sobre os culpados.
Surgirá, então, um novo mundo fértil, onde imperam a paz e harmonia. O novo paraíso criado para substituir o Asgard por Modi, Magni, Vali e Vidar, filhos dos deuses Aesir que pereceram, chamar-se-á Idavoll. O martelo de Thor, Mjöllnir, será tomado pelos seus filhos; este martelo tinha a particularidade de voltar para as mãos de quem o lançava. Do Helheim, o inferno, voltarão o cego Hödr (ou Hod) e Balder, o favorito dos deuses, vivendo todos juntos em harmonia.
Sobreviverão à calamidade dois humanos que se tinham escondido na árvore Yggdrasill, Lif ("Vida") e Lifthrasir ("Vivaz"). Tal como Adão e Eva entre os cristãos, serão a semente de uma nova Humanidade. Por fim, surgirá de novo Sol, filha da que tinha sido engolida.
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