Rainha Mãe de Inglaterra

Rainha Mãe dos ingleses, Elizabeth [Isabel] Angela Marguerite Bowes Lyon nasceu a 4 de agosto de 1900, em Hertfordshire, na Inglaterra, filha dos condes de Strathmore & Kinghorne, uma casa nobre escocesa. Os ingleses consideravam-na a avó de toda a nação, chamando-lhe carinhosamente de Rainha Mãe.
Elizabeth foi educada nas propriedades da família na Escócia, tendo tido uma infância despreocupada e feliz, num espírito de abertura e de modernidade. Nascera, de facto, no seio da aristocracia e não da realeza, o que lhe dava maiores liberdades e menos incumbências públicas. Mas o ambiente da realeza não era nada estranho a Elizabeth, e foi mesmo no seio deste que veio a conhecer o seu futuro esposo, o tímido duque de York, o príncipe Bertie (1895-1952), segundo filho do rei Jorge V (1865-1936) e mais tarde Jorge VI, depois de seu irmão, Eduardo VIII (1894-1972), abdicar do trono em 1936 (ao fim de nove meses, na sequência do seu casamento com uma senhora americana, Wallis Simpson, divorciada). O casamento com o duque de York ocorreu a 26 de abril de 1923.
Elizabeth torna-se assim Rainha, a 10 de dezembro de 1936, de forma inesperada, contra as suas expectativas de fundar uma família feliz, afastada da opinião pública e dos problemas da realeza. Tinha o casal duas filhas, Elizabeth (Isabel II), nascida em 1926, e Margaret Rose (Margarida), que nasceu em 1930. Em dezembro de 1935, Elizabeth foi acometida por uma pneumonia e mais tarde, já depois da Guerra, em 1948, por uma forte gripe, Influenza. O seu marido, o duque de York, tinha problemas de saúde, ascendendo ao trono também numa época difícil para o país e para a Europa, que se viria a agudizar com a Segunda Guerra Mundial. Todavia, manteve-se sempre ao lado do povo, ao qual apoiou e incentivou, mesmo debaixo de pesados bombardeamentos alemães, acolhendo também outras famílias reinantes da Europa em fuga e vários políticos e dissidentes de países ocupados pela "Nova Ordem" nazi. Nestes momentos difíceis a rainha Elizabeth soube estar sempre do lado do marido e do povo, cuidando da família e incentivando o monarca no cumprimento das suas funções e obrigações. A experiência da guerra não era estranha a Elizabeth, que atravessara já a Primeira Guerra Mundial (1914-18) e vira muitos jovens partir para uma guerra do outro lado do Canal. Mas agora, a guerra "caía-lhe em cima da cabeça". Sir Winston Churchill, durante os violentos bombardeamentos alemães sobre Londres, a par de outras individualidades britânicas, apelou à rainha para que acompanhasse as suas filhas para a segurança do Canadá, longe da guerra e do perigo. No entanto, em conformidade, aliás, com a posição de seu marido, do qual esteve sempre ao lado, recusou tal hipótese, afirmando que se manteria junto ao seu povo. Respondeu assim, categoricamente, à proposta de se retirar para o Canadá: "As meninas não vão sem mim, eu não irei sem o Rei e o Rei não nos abandonará nunca". Era por isso bastante comum ver a Rainha visitar os locais bombardeados, a confortar as famílias ou a incutir moral nas tropas e no povo. Um dia, depois de um raid aéreo sobre o palácio de Buckingham e da destruição infligida, Elizabeth disse ter sentido na pele aquilo que os seus compatriotas e habitantes de Londres sentiam durante e depois de cada ataque alemão. Esta inamovível presença da família real britânica junto do povo marcou para sempre os ingleses, que, graças a tal exemplo de coragem e apoio ao povo, mantêm uma elevada confiança na instituição monárquica, só abalada por escândalos recentes e sem qualquer relação com a Rainha Mãe.
Em 6 de fevereiro de 1952, seu marido, o rei Jorge VI, morre. Elizabeth abdica então do seu título de rainha e a sua filha mais velha torna-se a rainha de Inglaterra, sob o nome de Isabel II, mantendo-se ainda no trono. Elizabeth Bowes-Lyon adota então o título de "Rainha Mãe", para evitar qualquer confusão com a sua filha, que também tinha o mesmo nome e era rainha. Mas Elizabeth não se retirou da vida pública, apesar de o fazer de forma discreta e sempre em apoio da sua filha e da Casa Real, nunca impondo a sua dignidade de Rainha Mãe. O seu quotidiano era preenchido por atividades de Estado, militares, cívicas e de caridade. Manteve sempre uma extraordinária adaptação aos novos tempos, às novas tendências e acima de tudo uma alegria transbordante e contagiante, mantendo uma aura de popularidade notável junto dos ingleses e também em toda a Europa. Dignidade, graça, compreensão pela vida fora dos palácios e pelo quotidiano do povo, apoiados numa forte personalidade, eram as características marcantes desta figura cimeira da monarquia inglesa, unanimemente acarinhada por todos os setores da população. Manteve-se sempre de sorriso pronto e elegantemente vestida, não disfarçando uma das suas "fraquezas" antigas: uma grande vaidade em termos de guarda-roupa e em joias, mesmo nos últimos anos da sua vida.
Faleceu enquanto dormia a 30 de março de 2002, vítima de infeção pulmonar.
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