Ran, os Senhores da Guerra

Drama épico japonês realizado em 1985 por Akira Kurosawa com o título original Ran. Foi coproduzido pelo Japão e França, pelas mãos de Serge Silberman. O argumento foi escrito por Masato Ide, Akira Kurosawa e Hideo Oguni, baseado na peça Rei Lear, de William Shakespeare, e numa lenda medieval samurai semelhante. Foi interpretado por Tatsuya Nakadai, Akira Terao, Jinpachi Nezu, Daisuke Ryu, Mieko Harada, Yoshiko Miyazaki, Takashi Nomura e Hisashi Igawa, entre outros. Kurosawa levou dez anos a planear meticulosamente o filme para o qual tinha storyboards de todas as cenas, com indicações de como deveriam ser filmadas. Acabou por filmá-lo quando tinha já 75 anos e sofria de falta de visão.
Adaptando a obra trágica de Shakespeare ao Japão do século XVI, na época dos samurais, Ran conta a história de um poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, Hidetora (Tatsuya Nakadai), que, já velho, decide retirar-se do controlo do seu império, dividindo os seus bens pelos três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburu Naotora (Daisuke Ryu). A sua esperança era de que todos se mantivessem unidos e leais uns com os outros. A Taro, o filho mais velho, entrega o feudo, as terras e a cavalaria. Jiro e Saburu ficam com alguns castelos, algumas terras e o dever de ajudar e obedecer a Taro. No entanto, Hidetora exige viver no castelo de um deles, mantendo alguns súbditos e o seu título. Saburu, o seu filho preferido, prevendo as desgraças que surgiriam, mostra-se oposto à decisão paterna alegando que isso iria destruir a família devido à rivalidade existente entre os dois filhos mais velhos. Hidetora expulsa-o do feudo e Saburu acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki (Hitoshi Ueki), que acaba por casá-lo com a sua filha. A profecia de Saburu concretiza-se: os filhos ambicionam o poder para si próprios e despoletam uma guerra civil. Hidetora enceta então uma viagem de castelo em castelo, vendo-se aos poucos despojado dos seus soldados, do seu orgulho, da sua sanidade mental, isolado no seu próprio império. Ran é essencialmente uma história sobre a desintegração da união de uma família devido à excessiva ambição, traição e consequente guerra.
Ganhou o Óscar de Melhor Guarda-Roupa e recebeu as nomeações para Melhor Realizador, Melhor Direção Artística e Melhor Fotografia. Recebeu ainda a nomeação para o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou dois BAFTA, o de Melhor Filme Estrangeiro e o de Melhor Maquilhagem.
Em 1985, Kurosawa foi homenageado pelo Festival de Cinema de Cannes por este filme, que declarou ser "a obra da sua vida".
Como referenciar: Ran, os Senhores da Guerra in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-22 04:27:09]. Disponível na Internet: