Ratos de Porão

Banda brasileira formada em 1981, em São Paulo, Brasil. Em plena afirmação do movimento punk internacional, o guitarrista Jão (João Carlos Molina Esteves), o seu primo baterista Betinho (Roberto Massetti) e o baixista Jabá (Jarbas Alves) decidem formar uma banda. A ideia, nascida em 1981, aconteceu depois de o trio ter assistido a uma atuação de três bandas brasileiras que já subscreviam as fórmulas punk. Como nenhum deles sabia tocar algum instrumento, o passo seguinte foi ensaiar intensivamente. A primeira atuação pública aconteceu no ano seguinte, numa escola de Pirituba. A partir daí, melhorando gradualmente a execução dos instrumentos, a banda sonhava em participar nos festivais punk, já que a gravação de um disco era, naquela época, muito complicada para este tipo de sonoridade. Por ocasião de uma atuação da banda Extermínio, Jão gostou de ouvir João Gordo (João Francisco Benedan), um jovem que fazia, substituindo o elemento original da banda, os vocais de suporte. Jão convida Gordo para se juntar ao projeto dos Ratos de Porão e, com esse alinhamento, eles correram todos os palcos do circuito punk, conquistando gradualmente a simpatia do meio editorial. É assim que gravam o álbum Sub (1982), contando já com a guitarra de Mingau (Rinaldo Amaral). O registo era uma coletânea repartida com os Psykrose, Fogo Cruzado e Cólera. É também nessa altura que o coletivo tem a primeira experiência internacional, com a canção "Parasita" a ser integrada na coletânea americana World Class Punk. Ainda nesse ano, o festival O Começo do Mundo reuniu cerca de vinte bandas punk, com quase 3 mil pessoas a assistir, tornando-se um evento histórico para a afirmação do movimento, até pelo mediatismo dos confrontos físicos entre polícia e manifestantes. Em 1983, Betinho sai dos Ratos do Porão, deixando o lugar de vocalista para João Gordo. Com Gordo, Jão (agora na bateria), Mingau (guitarra) e Jabá (baixo), a banda experimenta uma longa fase de ensaios. Como não era fácil conseguir atuações no estilo punk, a banda passava a maior parte do tempo a praticar. A repressão policial sobre os punks obrigava a uma quase clandestinidade e à formação de movimentos underground, como o famoso Carolina Punk, gang paulista dos anos 70. A primeira aparição do grupo com João Gordo nos vocais aconteceu em 1983, na PUC. O debute discográfico chegaria pouco depois às lojas, com o primeiro longa-duração. O disco não teve lançamento oficial e o arrefecimento do movimento punk quase levou à extinção da banda. Com a aproximação a outras sonoridades, João Gordo deixa a banda depois do split de 1985, com os Cólera.

O regresso de João Gordo, em 1986, coincidiu com novo alinhamento. Jão deixou a bateria e voltou para a guitarra (Mingau saiu da banda) e Spaghetii (Nélson Evangelista Jr.) entrou para o lugar de baterista. É com este alinhamento que a banda grava o segundo longa-duração, mostrando influências mais óbvias do heavy metal. Com a decadência geral da geração punk, cujos concertos terminavam geralmente em tumulto, os Ratos de Porão começaram a associar-se aos concertos metal. Essa aproximação tornou-se ainda mais evidente no terceiro título dos Ratos do Porão, com a participação especial dos Sepultura. A afinidade com os Sepultura levá-los-ia às únicas gravações em inglês, experiência que abandonariam rapidamente. Em 1989, atuam na Europa pela primeira vez, tendo contacto com o punk europeu, decididamente mais organizado e menos conflituoso do que o que conheciam do Brasil. Gravado em Berlim nesse ano, o álbum Brasil marcaria uma nova etapa para os Ratos de Porão. A contestação político-social do país conquistaria uma franja maior de apoiantes e levaria à fase de maior atividade em palco da banda. A aposta para Anarkophobia era um certo crescimento artístico mas as aparições em programas de televisão generalistas abalaram a fama de rebeldia da banda. Spaghetti deixaria a banda logo depois da edição do álbum. Boka (Maurício Alves Fernandes) entraria para os Ratos pouco tempo depois. O alinhamento da banda estabilizaria até 1993, quando Jabá abandonou o projeto. Walter Bart, amigo da banda, junta-se a eles para a gravação de Another Crime in... Massacreland, o disco mais criticado da carreira do grupo. Pensado para a divulgação internacional, o disco não teria um lançamento adequado e ficaria muito aquém do esperado. A banda não ficou satisfeita com o trabalho e dispensou o baixista Walter Bart. Voltando às bases mais toscas do punk, com Pica-Pau no baixo, a banda retomou o seu caminho natural, num duplo CD (Feijoada Acidente?) com quarenta e uma versões de outras bandas punks. A partir daí a banda não se desviou mais dos caminhos do hardcore. Em 2000, regravariam o primeiro álbum, rebatizando-o Sistemados pelo Crucifa.

Discografia 1984, Crucificados pelo Sistema
1985, Ataque Sonoro
1985, Cólera/Ratos de Porão - Ao Vivo
1986, Descanse em Paz
1987, Cada Dia Mais Sujo e Agressivo
1987, Dirty and Agressive
1989, Brasil
1991, Anarkophobia
1992, RDP ao Vivo
1993, Just Another Crime in... Massacreland
1995, Feijoada Acidente?
1997, Carniceira Tropical
1999, Periferia - 1982
2000, Só Crássicos
2000, Guerra Civil Canibal
2001, Sistemados pelo Crucifa
2002, Apocalipse Always
2003, Oniciente Coletivo
2003, Ao Vivo no CBGB
2006, Homem Inimigo do Homem

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