Raymond Firth

Antropólogo social neo-zelandês, Sir Raymond William Firth, nascido a 25 de março de 1901, em Auckland, distinguiu-se enquanto antropólogo social e professor da London School of Economics. Residiu desde 1932 em Inglaterra, onde se doutorou na LSE, após uma licenciatura em Economia, ainda na Nova Zelândia.
A sua tese de doutoramento, e uma das suas mais importantes obras, realizada sob a coordenação de Brosnilaw Malinowski a partir de pesquisa documental, debruça-se sobre o tema que dominaria a sua carreira académica: a economia de sociedades ditas primitivas. Denominada The Primitive Economics of the New Zealand Maori (1929), esta obra teria a sua continuidade dez anos mais tarde com a publicação de Primitive Polynisean Economy (1939), desta feita após trabalho de campo junto dos Tikopia, povo da Polinésia, e de Malay Fisherman: Their Peasant Economy (1946), acerca de uma comunidade piscatória da Malásia.
Raymond Firth tornar-se ia professor da London School of Economics logo após a conclusão do seu doutoramento, prolongando e aprofundando a sua ligação a B. Malinowski, de quem foi discípulo fiel. A sua conceção de antropologia e da organização social é diretamente herdada daquele autor e pensador fundamental na história da Antropologia (a quem dedicou a obra Men and Culture: An Evaluation of the Work of Bronislaw Malinowski (1957)), e que substituiria pouco depois do seu desaparecimento (em 1942) como chefe de departamento na London School of Economics. As grandes contribuições de Firth estão diretamente ligadas, por um lado, à análise pormenorizada da cultura e da sociedade Tikopia e, por outro lado, à conjugação da análise económica e antropológica, defendendo que a economia funciona como uma ciência social de ligação, já que possui princípios de aplicação universal: os aspetos económicos estão sempre presentes em qualquer tipo de sociedade.
Em termos de contribuições teóricas, destaca-se no trabalho de Firth o desenvolvimento do conceito de organização social, no sentido de considerar a pesquisa antropológica o estudo aprofundado de uma cultura particular como sistema social total, privilegiando a análise do seu funcionamento e manutenção. Através do conceito de organização social, Firth faz a ponte entre as posições e conceitos funcionalistas e estruturalistas, fugindo habilmente ao seu carácter reducionista.
Finalmente, deve realçar-se o importante papel de Firth como professor, organizador e promotor da antropologia, tendo sido elemento destacado do Instituto Real de Antropologia (foi seu secretário entre 1936 e 1939 e presidente entre 1953 e 1955). Raymond Firth recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Britânica em 1973. Morreu a 22 de fevereiro de 2002.
Outras obras de Firth:
1924, The Kauri-Gum Industry: Some Economic Aspects
1930, Tikopia Ritual and Belief
1936, Art and Life in New Guinea
1936, We, the Tikopia: A Sociological Study of Kinship in Primitive Polynesia
1938, Human Types: An Introduction to Social Anthropology
1951, Elements of Social Organization
1956, Two Studies of Kinship in London (editor)
1959, Social Change in Tikopia: Re-study of a Polynesian Community After a Generation
1961, History and Traditions of Tikopia
1964, Essays on Social Organization and Values
1967, Themes in Economic Anthropology
1970, Rank and Religion in Tikopia: Asyudy in Pollynesian Paganism and Conversion to Cristianity
1973, Symbols. Public and Private
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