Real Fábrica da Seda

A indústria da seda foi fomentada a partir do século XVI, quando as rotas orientais perderam a sua importância devido à descoberta do caminho marítimo para a Índia. No tempo de D. João V foi estabelecida uma fábrica de sedas em Lisboa pela mão do francês Robert Godin, que se instalou primeiro na Fonte Santa, depois na Rua de São Bento e mais tarde no Largo do Rato. No alvará que autorizava a sua instalação, eram concedidos vários privilégios e eram expressas as suas condições de funcionamento. Esta fábrica e a sua atividade ficaram marcadas na toponímia da capital, onde ainda podemos encontrar a Praça das Amoreiras e a Rua da Fábrica das Sedas. Por dificuldades financeiras dos fundadores da fábrica, a administração passou para as mãos do governo. Também o Marquês de Pombal, ministro do rei D. José, prestou atenção a esta fábrica, conferindo-lhe regulamentos, privilégios e criando a própria direção-geral da Fábrica das Sedas, para além de fomentar a plantação de amoreiras, o que permitiu o desenvolvimento de regiões sericícolas em Portugal, como Trás-os-Montes. A partir desta época, esta fábrica deixou de ser uma unidade manufatureira tradicional, passando a adotar um sistema de trabalho misto, oficinal e doméstico, chamando a si apenas a comercialização da própria produção. Favoreceu assim o desenvolvimento de outras atividades industriais, o que dinamizou o tipo de aprendizagem dos profissionais e a forma como as manufaturas se instalavam. Esta foi a primeira fábrica onde foi demonstrado um desenvolvimento em direção a processos modernos de organização fabril que se afastavam do tradicional sistema cooperativo, incompatível com as necessidades de um estado moderno. Contudo, quando esta lógica da manufatura se espalhou pelo resto do país, já a Inglaterra tinha acrescentado um novo ingrediente à fórmula: a máquina a vapor, iniciando-se o declínio do fabrico de seda em Portugal, pelo menos nos moldes em que se encontrava.
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