retórica

A arte da eloquência ou, no dizer de Luís António Verney (Verdadeiro Método de Estudar), a "arte de persuadir". Do grego rhetor, "orador". Nasceu no século V a. C., em Atenas, para fazer face às novas necessidades que o sistema democrático implicava, nomeadamente os discursos e os debates que aí surgiram de modo crescente.
Por Sócrates e seu discípulo Platão ficamos a saber que a retórica se uniu intimamente à sofística. Um e outro opuseram-se particularmente à retórica, por ser um instrumento que mais permitia encobrir a verdade do que ajudar a desvelá-la. Os sofistas adotaram um relativismo e mesmo um ceticismo, defendidos pela arte de persuadir, procurando demonstrar que a verdade era relativa, dado ser possível, aparentemente, defender qualquer ponto vista, verdadeiro ou falso. De modo geral, a retórica não mais deixou de ser conotada de modo negativo desde esse momento, ainda que tenham sido muitos os seus defensores e que tenha havido épocas em que ela foi particularmente valorizada.
Desde os primórdios da história da retórica, com Córace e Tísias, seu discípulo, a retórica foi definida como uma arte que não procurava tratar do verdadeiro, mas do verosímil. Górgias, sofista, discípulo de Tísias, acentua mais esta característica da retórica ao aproximá-la do seu relativismo filosófico. A este se opôs Platão, desvalorizando a retórica, remetendo-a para o campo da doxa ("opinião"), ou seja, para o domínio do falso. Aristóteles, discípulo de Platão, valorizou-a, mas dando-lhe um significado diferente do que tinha até aí. Para ele esta baseia-se na razão e, por isso, está legitimado o objetivo que ela busca: a persuasão. Aristóteles inaugura um novo período e uma nova forma de abordar a retórica, estuda, procurando sistematizar, os métodos de persuasão (dividindo-os em externos e internos), os géneros de discurso (que dividiu em demonstrativo, judiciário e deliberativo) e os diferentes tipos de argumentos.
Da Grécia, a retórica passou a Roma, sobretudo no contexto da política, tendo sido desenvolvida por Cícero e por Quintiliano.
Na Idade Média ela pertenceu ao quadro das disciplinas aí estudadas no trivium (conjunto de três disciplinas: gramática, dialética e retórica), aparecendo agora sobretudo num contexto religioso, onde se ensinavam as regras que permitiam ao orador, pelo discurso, persuadir o auditor ou o auditório.
No século XX, depois de ter passado por um período de desvalorização durante a Idade Moderna, ela volta a ser alvo das atenções dos estudiosos e estudada através do foco das mais diversas disciplinas, como sejam a hermenêutica, a filologia ou a semiótica.
Álvaro Ribeiro (Estudos Gerais), na linha do aristotelismo, valoriza a retórica definindo-a como "a arte de expor e dispor os argumentos que encaminham uma tese para a sua prova final. (...) Estimulada ou desenvolvida pelo ensino e pela prática, a retórica auxilia o pensador a inventar e a descobrir os argumentos, antes de o habilitar a expô-los e a dispô-los com mestria admirável." Neste contexto ela é tida como um instrumento indispensável na educação do adolescente, não tanto para bem falar, mas antes para bem pensar, servindo de estímulo à inteligência, à imaginação e à memória.
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