Revolta de 1637

Esta revolta portuguesa insere-se numa conjuntura de sublevações que ocorreram em todo o império espanhol, governado então por Filipe IV, num clima de descontentamento pela sua ação governativa, como é o caso da revolta de Biscaia (1630) ou da Catalunha (1640). No território português, então sob o domínio direto da coroa espanhola, a revolta de 1637 foi reflexo da própria conjuntura de crise diplomática e económica do império. Portugal estava sobrecarregado de impostos para fazer face ao esforço de guerra espanhol (o real de água, a anata e a meia anata), obsessivamente empenhado contra a Inglaterra, enquanto os portos coloniais portugueses estavam à mercê de corsários, decaindo o comércio luso de forma alarmante. A revolta teve início em Évora, quando o corregedor tentou impor um aumento de impostos, fruto da política opressiva do duque de Olivares (1587-1645). O povo foi, então, incitado à revolta pelo procurador e pelo escrivão de Évora, respetivamente João Barradas e Sesisnando Rodrigues. Estes levantamentos alastraram pelo Alentejo, que atravessava então uma grave crise agrícola. O fenómeno espalhou-se depois a outras localidades do território nacional: Portel, Campo de Ourique, Faro, Tavira, Albufeira, Loulé, Coruche, Montargil, Abrantes, Sardoal, Setúbal, Porto, Vila Real, Viana do Castelo. Como o movimento não possuía chefes militares, nem populares devidamente armados, os motins acabaram por ser dominados pelas tropas castelhanas, que condenaram à morte o procurador e o escrivão de Évora. Estes levantamentos foram o primeiro indício do descontentamento do povo português contra o domínio espanhol, tendo congregado apoios em diversos estratos sociais, em particular dos Jesuítas, sendo frequentemente apontado como o ponto de partida para a Restauração de 1640.
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