Revoltas na Escócia

A morte sem herdeiro de Isabel I em 1603 colocou no trono inglês um filho de Maria Stuart, Jaime VI da Escócia, católico. Este tornou-se então Jaime I de Inglaterra. Não existiu uma união dos dois reinos, imperando a desconfiança e a oposição da poderosa burguesia inglesa face à união com os escoceses.
Jaime I não teve qualquer problema de ligação ao anglicanismo do seu novo Estado, que até se enquadrava na sua política religiosa. Não deixou também de perseguir católicos e puritanos e a sua política religiosa causou desde então fortes rancores entre os escoceses. Convencido de que o episcopado estava mais de acordo com os interesses da monarquia, Jaime I atinge o seu grande triunfo junto da Igreja. As suas manobras tortuosas dão-lhe finalmente um controlo absoluto da assembleia geral. O Parlamento reafirma a supremacia real em 1606, e aprova uma constituição episcopal em 1610. Uma super estrutura episcopal foi imposta aos presbiterianos.
No seguimento da política religiosa adotada pelo seu pai, Carlos I, no seu livro de cânones (1635), referencia os escoceses como sendo papistas, levando à revolta destes em St. Giles (Edimburgo) em 1637. O Convénio Nacional, protestando contra as recentes inovações, redigiu e assinou em dezembro de 1638 a abolição da assembleia geral do episcopado em Glasgow. Os partidários do convénio invadiram o Norte de Inglaterra (Guerra dos Bispos de 1639 a 1641). O rei tentou ultrapassar as críticas escocesas fazendo-lhes concessões (1641), mas após o falhanço desta política, foi obrigado a convocar o Parlamento Longo para se livrar do exército escocês.
Apesar de não lhes dizer respeito, os escoceses ajudam os opositores do rei na Guerra Civil Inglesa, na condição de estes os ajudarem a firmar um pacto de uniformidade religiosa segundo um modelo presbiteriano. A oposição ao poder real acabou com a batalha de Naseby em junho de 1645. Em maio de 1646, Carlos I rendeu-se aos escoceses, que ainda aspiravam a que o rei, um devoto anglicano, aceitasse a reconciliação.
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