Revolução da Informação

A evolução das diversas formas de transmitir informação, como a televisão, o rádio e o computador, fez com que se despoletassem uma série de alterações sociais, económicas e políticas que alteraram profundamente a face do mundo antes desta era, resultando como fator dominante a globalização ou a criação da chamada "aldeia global".
O advento da Internet em 1969 marcou o contexto da globalização, tendo permitido que uma base de dados gigantesca fosse partilhada em todo o mundo, com possibilidade de acesso por qualquer utilizador, tendo o World Wide Web tornado possível a partilha de informação em multimédia e hipertexto. Os Estados Unidos da América passaram a dominar quase tudo ao que à informação diz respeito, seja através de empresas como a Apple, a Intel, a Microsoft ou a IBM, seja por possuir alguns dos bancos de dados de diversas áreas mais completos a nível mundial, seja pela emissão e possessão dos meios de difusão informativa, como satélites (sendo o primeiro satélite intercontinental americano o Telstar I, de 1962) e outros. A partir de 1980 e com o aparecimento da CNN (Cable News Network) iniciou-se um novo período em que o espectador tem acesso à informação em primeira mão, sem filtros de qualquer género e que cria uma situação de igualdade entre todos os públicos, tornando muitas vezes urgentes as reações políticas, sociais e económicas em determinadas ocasiões e face a certos acontecimentos (conflitos, desastres, crimes…). Por outro lado, a informação transmitida pode pecar pela imparcialidade e pelo sensacionalismo, uma vez que a manutenção das audiências passa pela renovação de notícias estrondosas que o espectador busca incessante e sequencialmente. A difusão da informação ganhou uma dimensão política, uma vez que, face ao impacto e monopólio que atingiram as associações ocidentais de multimédia, interveio inclusivamente nas correntes de capitais e na orientação muitas vezes decisiva da opinião pública. Tendo-se entretanto e progressivamente criado códigos éticos no âmbito jornalístico, manifestaram-se contudo fortes oposições a esta manipulação, como o processo instaurado por alguns países, através da UNESCO, contra os meios de comunicação de cariz imperialista (que provocou a saída em 1985 da Inglaterra e dos EUA desta instituição), os ataques muçulmanos às antenas parabólicas e a "Nova Ordem Mundial de Informação e Comunicação" praticada pelos Países Não Alinhados, que combateu difusoras como a Reuters e a Associated Press. A era da informação eliminou muitos hábitos humanos, como as brincadeiras de crianças ao ar livre (que preferem desenhos animados e jogos de vídeo e computador), as visitas a museus, a frequência de bibliotecas e as idas ao teatro e ao cinema, uma vez que a tudo se pode aceder por meios informáticos. Estimulou igualmente o sedentarismo e a sensação de inutilidade de cada ser para o Mundo ao proporcionar a receção de produtos em casa (alimentos, objetos), o trabalho a partir de casa, as comunicações de qualquer género efetuadas sempre em e a partir de casa... Por outro lado, o mais comum dos cidadãos pode tornar-se meio de informação, com filmagens caseiras de acontecimentos fortuitos, formato adotado por muitos jornalistas e que, ao denunciar muitas vezes incompetências de personagens e instituições, tornou, por um lado, estas filmagens provas aceites pela lei, e por outro criou um tipo de jornalismo pseudo-justiceiro. Todos estes fatores induziram à difusão de um processamento de informação imediato e simplista, em detrimento de análises mais profundas e contextualizadas, formatando muitas vezes uma forma de pensar que não inclui a reflexão. Da mesma maneira, assistiu-se a uma instrumentalização dos "media", por parte de determinados governos, para a solidificação da ideologia e do poder, percetível ou impercetivelmente.
Como referenciar: Revolução da Informação in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-26 01:19:47]. Disponível na Internet: