Revolução de setembro

Ficou conhecido como Revolução de setembro o movimento de insurreição que se deu em Lisboa a 9 de setembro de 1836, no Terreiro do Paço, depois de desembarcarem os deputados portuenses, liderados por Passos Manuel.

A insurreição constituiu uma manifestação de descontentamento face à desastrosa situação económica e financeira do país, por parte de oposicionistas radicais aos quais se juntaram as forças militares.

Tendo o regime liberal sido instaurado com a Revolução de 1820 e a Constituição de 1822, e terminada a fase mais aguda (1832-1834) da guerra civil, a Carta Constitucional, experimentada já em 1826-1827, entrou novamente em funcionamento, com eleições de deputados e a organização de governos que deveriam proceder à instauração da ordem liberal. Logo aí se fez sentir a oposição aos atos dos governos da confiança de D. Pedro IV, bem como à sua Carta, havendo quem defendesse a tradição vintista.

Ora, os deputados eleitos em 1834 distribuíram-se, essencialmente, pela direita (maioritária), que apoiava D. Pedro e os seus governos, e por uma minoria de esquerda que procurava uma doutrina capaz de dinamizar o democratismo.
Essa minoria oposicionista era constituída fundamentalmente por deputados do Porto, tendo como figuras principais Passos Manuel e o seu irmão José da Silva Passos, que desempenhariam um papel determinante na Revolução de 1836.

A primeira experiência parlamentar depois da vitória liberal na guerra civil mostrou ser difícil o entendimento entre os poderes executivo e legislativo. Daí que houvesse agitação na Câmara dos Deputados e na imprensa, na defesa de um liberalismo extremo. No resto do País, no entanto, a grande massa popular mantinha-se alheia a tais discussões ideológicas.

Assim, sendo claro o conflito entre o Governo e a Câmara dos Deputados, optou-se pela dissolução desta e pela preparação de eleições para novos deputados. As eleições de 1836 deram larga vitória ao Governo instalado, que resolveu prosseguir com a política iniciada em 1834, na linha da legalidade cartista com a qual os liberais radicais do Porto não concordavam.

Estes prepararam um golpe de Estado, marcado para o momento da chegada ao Tejo dos deputados portuenses, entre os quais Passos Manuel, Soares Caldeira, Leonel Tavares, Cassiano Tavares Cabral e Morais Mantas, que acabaram por ser recebidos de forma apoteótica, sendo apoiados pelo exército.
O golpe deu-se, assim, de forma pacífica. A revolução restabeleceu a Constituição de 1822 e levou à formação de um Partido Radical.

Em 1838, os setembristas criaram uma Carta Constitucional, baseada na de 1822, e que se manteve até 1842.
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