Ribeira do Porto

A Ribeira do Porto, junto ao Rio Douro, é um dos locais mais típicos da cidade do Porto e, integrando a Zona Histórica, faz parte do Património Mundial designado pela UNESCO. Hoje em dia é um local de bares e restaurantes muito procurado, nomeadamente pelos turistas.
Alguns dos pontos fortes são a Praça da Ribeira, também conhecida por Praça do Cubo, a da Rua Fonte Taurina, uma das mais antigas da cidade, o Muro dos Bacalhoeiros e a Casa do Infante, onde nasceu em 1394 o Infante D. Henrique.
A Praça da Ribeira é de origem medieval, tempos em que ali já existia uma grande atividade económica devido à presença de um porto de rio. Com o tempo passou a ser uma zona de intenso comércio, com tendas de venda e uma lota. Em 1491, houve um grande incêndio na zona, ao qual se sucedeu um processo de reconstrução, tendo havido a opção por casas com colunas abertas sobre o rio e o piso da praça central em laje. Este novo aspeto da Ribeira do Porto é muito aproximado com o que existe atualmente.
Em março de 1809, ocorreu uma tragédia naquele local, que ficou conhecida por Tragédia da Ponte das Barcas. O avanço das tropas de Napoleão fez com que a população corresse em massa para a ponte, feita de barcas, que não aguentou o peso da multidão e acabou por ceder, caindo muita gente ao rio. Um baixo-relevo da autoria de Teixeira Lopes (pai), colocado no Cais da Ribeira, alude à tragédia. Posteriormente foi construída uma ponte pênsil, cujos pilares na margem norte ainda hoje existem, mesmo ao lado da Ponte de D. Luís I, inaugurada a 31 de dezembro de 1886.
Na segunda metade do século XVIII houve grandes remodelações na cidade do Porto e a zona da Ribeira foi uma das beneficiadas. Assim, no local foram abertas novas ruas e criadas esplanadas com vista para o rio, obras financiadas com a criação de um imposto sobre o comércio do vinho.
Ainda no século XIX, foi construída uma arcaria entre a Praça da Ribeira e a zona poente, que ficou encostada a parte da muralha fernandina. Esta arcaria foi inspirada nos Adelphi, antigos armazéns da zona portuária de Londres.
Nos anos 80 do século XX, houve uma revitalização da Ribeira do Porto com a abertura de inúmeros bares noturnos. Passou a ser o ponto de encontro para a animação noturna. Realizava-se também o tradicional Mercado da Ribeira, numas barracas mesmo junto ao rio.
Foi nesta zona do Porto que viveu uma das figuras mais carismáticas da cidade, o chamado Duque da Ribeira, conhecido por ter salvo várias pessoas de morrer afogadas. Foi-lhe feita uma homenagem após a morte, tendo ficado imortalizado na praça junto ao pilar da Ponte Luís I, que recebeu o seu nome e onde foi colocada uma lápide.
A 24 de junho de 2000 foi inaugurada na praça da Ribeira, junto ao Cubo, uma estátua de São João Batista, da autoria do escultor João Cutileiro. A estátua foi inaugurada precisamente na noite de São João, pelo presidente da República, Jorge Sampaio.
Por ocasião do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, a Ribeira foi requalificada, segundo uma intervenção projetada pelo arquiteto Manuel Fernandes de Sá. Foi remodelado o pavimento e o mobiliário urbano entre a Ponte D. Luís e o Cais da Estiva.
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