Ribeira Grande

Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Ribeira Grande localiza-se na Região Autónoma dos Açores (RAA) (NUT II e NUT III), na ilha de São Miguel, ilha pertencente ao grupo oriental do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a norte pelo oceano Atlântico, a este pelo concelho de Nordeste, a sul pelos concelhos de Povoação, Vila Franca do Campo e Lagoa, a oeste e a sudoeste por Ponta Delgada. Ocupa uma superfície de 179,5 km2, distribuída por 14 freguesias: Calhetas; Conceição; Fenais da Ajuda; Lomba da Maia; Maia; Pico da Pedra; Porto Formoso; Rabo de Peixe; Matriz; Ribeira Seca; Ribeirinha; Santa Bárbara; Lomba de São Pedro e São Brás.
Em 2005 o concelho apresentava 28 507 habitantes. O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos. O relevo é integrado na ilha de São Miguel, sendo caracterizado por materiais de projeção, basaltos e andesitos. É possível encontrar as seguintes formações geológicas: Freiras (187 m), pico da Cova (310 m), ponta das Calhetas, morro de Rabo de Peixe, ponta do Forte e ponta da Ribeirinha.

História e Monumentos
Ribeira Grande é um dos concelhos mais importantes dos Açores, situando-se em S. Miguel, a primeira ilha dos Açores a ser descoberta em 1427 pelo navegador português Diogo de Silves. Ribeira Grande é, assim, uma das primeiras vilas dos Açores, tendo recebido foral de vila em 4 de agosto de 1507, outorgado por D. Manuel. A origem do nome do concelho está relacionada com uma ribeira de grande caudal que atravessa a cidade de Ribeira Grande a meio.
A grande fertilidade dos solos e a localização estratégica nas rotas entre a Europa e a América justificam o acentuado crescimento económico desta região. Neste concelho em particular, as plantações de algodão e as indústrias de lã foram o motor da sua economia nos séculos XVIII e XIX, tendo existido uma estreita ligação com as indústrias francesas de Colbert, no reinado de Luís XIV. A prosperidade atingida levou à sua elevação a cidade em 29 de junho de 1981. Posteriormente, o concelho começou também a dedicar-se à exploração do recurso natural do arquipélago - a energia geotérmica.
O património arquitetónico existente no concelho é essencialmente de natureza religiosa, do qual se destacam: a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela (1517), dedicada à Purificação da Santíssima Virgem, que foi reconstruída duas vezes, nos séculos XVII e XIX; a Igreja da Nossa Senhora da Conceição (1693-1714); a Igreja da Misericórdia, ou do Espírito Santo (1522), que foi erguida onde existiu a Ermida do Espírito Santo, e também a Igreja e o Convento de S. Francisco (século XVII). São de salientar ainda os edifícios da Câmara Municipal (séculos XVI-XVII) e dos paços do concelho (séculos XVI-XVII); este último tem a particularidade de possuir uma torre sineira de relógio coroada de basalto.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo, celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam a proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Destaque também para as cavalhadas de São Pedro, uma tradição que remonta aos torneios de cavalaria. Um cortejo constituído por um rei, cavaleiros, lanceiros, despenseiros e corneteiros, vestidos de branco e vermelho e montados em belos cavalos, desfila pelas ruas na manhã de 29 de junho, dia de S. Pedro, em direção à Igreja de S. Pedro. O momento mais esperado da festa ocorre quando o rei saúda em verso o padroeiro da festa e faz uma habilidade com o seu cavalo, fazendo-o colocar as patas dianteiras no portal do templo.
A nível de artesanato destacam-se as flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano, os capachos de folhas de milho e espadana, os trabalhos de vime, os bordados de linho, os bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.
Ainda no aspeto cultural, são de referir o museu etnográfico, com uma exposição de obras em basalto, e a casa da cultura, que se encontra no edifício restaurado do Solar de S. Vicente (século XVII), o qual possui uma ermida particular de S. Vicente Ferreira, além de albergar azulejos dos séculos XVI a XX, artesanato da ilha e uma velha barbearia.

Economia
Em Ribeira Grande o setor primário, na área da agropecuária, é a principal atividade económica. A área agrícola ocupa 57,5% da área do concelho e o cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se o cultivo do ananás dos Açores, do tabaco, do chá (o famoso Gorreana) e da chicória, para além das culturas forrageiras, das culturas permanentes de batata, citrinos e frutos subtropicais, das culturas industriais, dos prados, pastagens permanentes e prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma fraca densidade florestal (19,2%), que corresponde a uma área de 524 ha, salientando-se os cedros, os zimbros e os loureiros como as espécies mais abundantes.
O setor secundário é diversificado, podendo encontrar-se no concelho indústrias de laticínios relacionadas com a atividade agropecuária, bem como indústrias têxtil, de mobiliário, de tabaco e de bebidas licorosas.
No setor terciário as principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha consistem no golfe, no ténis, na vela, no windsurf, no remo, nas escaladas, nos passeios, no mergulho, na observação e na fotografia submarinas e na pesca.
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