rifte

Segundo Maurice Mattauer (1928-2009), na obra Monts et Merveilles (1999), denominam-se riftes as grandes depressões de origem tectónica que sulcam grandes extensões da crosta terrestre. O seu estudo foi altamente implementado quando se começou a aplicar o conceito de tectónica de placas à investigação da sua génese e significado. Inicialmente, o termo rifte aplicou-se a uma série de fendas situada na zona este-africana, em que se formaram os grandes lagos (Alberto, Eduardo, Niassa, Tanganica, etc.). Com o avanço dos estudos oceanográficos pôde comprovar-se que, além dos riftes continentais (rift valleys continentais), existem outros, situados na parte central das grandes dorsais oceânicas, com características comuns e com os quais foi possível estabelecer relações de natureza geológica e geofísica.
Considera-se que as placas interiores, ao tornarem-se geologicamente ativas, devido às correntes de convecção geradas na astenosfera terrestre, geraram movimentos de distensão que dividiram as placas iniciais em duas ou mais placas de menor tamanho, separadas por uma depressão - o rifte.
Os riftes continentais africanos são um bom exemplo desta génese. Trata-se de depressões no Este de África, orientadas sensivelmente na direção Norte-Sul, cujos limites correspondem a falhas normais. A sua origem parece residir numa grande distensão que afeta todo o continente africano e que o fragmentou. Esta fracturação é acompanhada de intenso vulcanismo. Esta atividade vulcânica origina relevos importantes (por exemplo, o Quilimanjaro) que se sobrepõem a outros preexistentes, ligados geneticamente à distensão. Esta distensão ter-se-ia iniciado no Triásico e continua atualmente, como o indicam os frequentes sismos cujo epicentro se situa nos rift valleys ou na sua proximidade. Parece que a fracturação não foi contínua ao longo dos últimos 180 milhões de anos, e que se produziram mais fortemente em períodos correspondentes à Era Secundária, Terciária e atual. Sob o ponto de vista geofísico, verifica-se nesta zona uma anomalia gravimétrica negativa que afeta uma superfície superior a 1000 quilómetros quadrados.
O Mar Vermelho apresenta todas as características morfológicas de um rifte.
Dracot, em 1974, considerou que o Mar Vermelho, o Golfo da Adém e os riftes do Sudoeste de África, estes de tipo continental, podem ser interpretados como três etapas da evolução de um oceano. A divergência nestes riftes ocorre a uma média de 1 a 9 centímetros por ano.
Também se verifica a existência de riftes nas dorsais oceânicas que são extensas cordilheiras submarinas, com alturas de 1500 a 2500 metros sobre as planícies abissais. A primeira dorsal a ser descoberta e estudada foi a dorsal médio-atlântica, que se estende desde a Islândia até ao Sul do Oceano Atlântico, sendo este dividido pelo rifte em duas metades bastante simétricas. A dorsal médio-atlântica continua pelo Sul da África com a dorsal índica, a qual se liga pelo Sul da Austrália com a dorsal do Oceano Pacífico. Na parte norte, a dorsal médio-atlântica liga-se à dorsal do Ártico.
O rifte de uma dorsal oceânica é uma fossa que ocupa o eixo da dorsal e que apresenta uma profundidade de 20 a 50 quilómetros. Admite-se que pelos riftes ascendem, vindos das profundidades, materiais no estado de fusão, o que justifica o elevado fluxo térmico dos riftes e a grande atividade sísmica e vulcânica das dorsais. Estas lavas são geradoras de rochas consolidadas que afastam os bordos das placas para um e outro lado do rifte central, mantendo-se contudo as dimensões originais do rifte. Com base em determinações ao longo de, aproximadamente, 50 000 quilómetros de dorsais oceânicas, calcula-se uma velocidade de cerca de 2 a 6 centímetros por ano, para cada lado.
Em todas as zonas de riftes, ao longo das fraturas, verificam-se fenómenos de vulcanismo com emissões de lavas basálticas que originam relevos que se sobrepõem a outros preexistentes; a existência de fortes anomalias gravimétricas negativas, correspondentes a um adelgaçamento da litosfera; anomalias magnéticas locais e existência de um elevado gradiente geotérmico.
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