Rio Neiva

Rio da região minhota, a sul do rio Lima. Desagua no oceano Atlântico, junto à povoação conhecida por Foz do Neiva.
A bacia hidrográfica deste rio tem uma área de 242 km2 e é caracterizada geologicamente pela existência de granitos e terrenos de aluvião junto à foz. O escoamento total anual na sua foz é de 259 hm3. Apresenta, da nascente até à foz, 95 levadas, suportadas por açudes, e 38 pontes, sendo uma delas a de Goães.

Acerca deste rio conta-se a seguinte lenda: Este rio era o único nascido no seio do grande Rei Oural (nome figurado por que era conhecida a serra mais alta do vale do Neiva). Ao nascer, era um príncipe travesso e claro como cristal, que gostava de brincar com as pedras preciosas do palácio de seu pai, abraçando-as e beijando-as. O Rei, seu pai, orgulhava-se ao vê-lo crescer tão vivo e cristalino. Mas a missão do Rei Oural era ajudar todas as gerações nas suas tarefas diárias, oferecendo continuamente o seu tão necessário sangue.
Então, um dia o rei dirigiu-se ao seu filho dizendo:
- Neiva, sobe ao solo e desliza pelo vale que mais te agradar até ligares o teu corpo ao mar. Eu ordenarei às veias dos montes, meus súbditos, que todas as fontes se liguem ao teu corpo para que, fortalecido, possas vencer as dificuldades que irás encontrar pelo caminho... embora fiques para sempre ligado ao meu corpo, pois és sangue das minhas veias, que serão fonte de vida e elo de ligação com o mar. Darás sempre o teu sangue a todos os seres vivos. Nunca recuses auxiliar quer o bom quer o mau, seguindo o mandamento do Criador: fazer o bem sem olhar a quem. Vai e banha toda a terra do vale que, a partir de hoje, se chamará Vale de Neiva.
Neiva obedeceu e subiu por entre rochedos, aparecendo à luz do dia como um espelho a cintilar ao sol. Olhou para os quatro pontos do mundo e decidiu dirigir-se na direção da freguesia de Godinhaços. E a terra acomodou o seu leito para dar passagem ao príncipe. Ao chegar ao sopé do monte juntaram-se a ele duas fontes que o fortaleceram. E juntos seguiram o seu destino correndo por cima de rochedos, rasgando sulcos na terra, escavando o vale. E o seu corpo foi ganhando cada vez mais força à medida que novas fontes iam aumentando o seu caudal. E assim, chegou ao mar, cumprindo a promessa feita ao seu rei e pai.
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