Rodrigo

Fadista e empresário, Rodrigo Ferreira Inácio nasceu a 29 de junho de 1941, em Lisboa. É um dos fadistas mais populares e aquele que detém o recorde de LP gravados: mais de 30.
Apesar de fado ser uma paixão antiga, motivada pelo ambiente onde cresceu - o Bairro da Graça, em Lisboa -, profissionalizou-se muito tarde, apenas quando a projeção do seu nome, através da carreira amadora, o tornou inevitável.
Rodrigo apresentou-se ao meio da forma mais típica e deslumbrante. Numa noite, na casa de fados A Cesária, pediu para cantar. Emocionou-se logo aos primeiros acordes das guitarras e deixou o público todo comovido. Tinha 22 anos. Mas não quis fazer do fado carreira. O seu sonho era montar a sua própria casa. Para tal precisava de dinheiro. Então, partiu à aventura para a Europa em busca de fortuna. Fez de tudo, em França, Alemanha, Itália, Bélgica. Foi empregado de café, descarregou camiões de fruta, foi operário de uma fábrica de iogurtes, lavou janelas e chegou mesmo a trabalhar como mordomo do conde de Saussette. Em Portugal, empregou-se numa editora livreira. Pelo meio, nunca deixou de cantar e editar discos. E foi perante a constatação de que a sua cara se tornara conhecida, os discos vendiam e já era cabeça de cartaz em alguns espetáculos, que, em 1973, decidiu profissionalizar-se. Apenas três anos depois cumpriu o sonho e abriu a sua própria casa de fados, o Forte Dom Rodrigo, em Birre (Cascais). Remodelou uma antiga casa chamada Estribo Clube. Naquele espaço cantaram grandes nomes, como Manuel de Almeida, Maria Armanda, Fausto Guedes Amorim, José Pracana ou Ivone Ribeiro.
Juntamente com José Mário Branco, Paco Bandeira, Simone de Oliveira, entre outros, fundou, em 1982, a Associação Portuguesa de Artistas de Variedades, da qual foi presidente, empenhando-se na luta pela criação de melhores condições para os profissionais do espetáculo.
A grande maioria do reportório de Rodrigo é constituída por fados tradicionais. Contudo, muitos dos temas que o tornaram famoso e popular são fados-canções, muitas vezes combatendo a ideia de que o fado tem que ser triste e saudosista. Entre os grandes sucessos de Rodrigo estão temas como "Cais do Sodré", "Coentros e Rabanetes", "Parece que é Bruxo" (de Carlos Paião), "Fado do 31", "Às Ginjas com Elas" ou "Há mais marés que Marinheiros".
Da sua extensíssima discografia, com mais de trinta álbuns e quarenta singles, destaca-se Eu sou o povo e canto esperança (Valentim de Carvalho, 1973), Coentros e Rabanetes (Imavox, 1976), Cais do Sodré (Rossil, 1979), Parece que é Bruxo (Rádio Triunfo, 1983), Pérolas (Rádio Triunfo, 1985) Asas e Raízes (Ovação, 1988), Fado - História Baladas e Lendas (1991), Marés de Saudade (Zona Música, 2002) ou a coletânea Cais do Sodré (Emi, 1992).
Rodrigo fez várias digressões por Portugal e pelo estrangeiro, sobretudo pelas comunidades de emigrantes. Em 1982, representou Portugal no Festival Autour du Monde, no Casino de Montecarlo (Mónaco), e recebeu o título de cidadão honorário pelo Senado do Estado de Rhodes Island (Estados Unidos).
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