Roger Caillois

Sociólogo e antropólogo francês, Roger Caillois nasceu a 3 de março de 1913, em Paris. Não teve um percurso académico convencional na Antropologia e Sociologia, preferindo dividir a sua atenção e a sua atividade por variadas áreas, desde o jornalismo até à literatura ou à intervenção política.
A formação de Caillois enquanto antropólogo e sociólogo foi recebida na École Pratique de Hautes Études, em Paris, em meados da década de trinta, onde frequentou os seminários de Alexandre Kojève. Caillois desde cedo se inclinou para o estudo do sagrado, desenvolvendo o seu trabalho nas áreas da Sociologia e da Antropologia da Religião. Deste interesse resultariam as obras Le Mythe et L'homme (1938) e L'Homme et le sacré (1939).
A atividade académica de Caillois estender-se-ia depois ao Colégio de Sociologia, nos anos anteriores à Segunda Guerra Mundial, onde defendeu uma sociologia politicamente empenhada e ativa, liberta de amarras "cientificizantes". Ativista político da extrema-esquerda anti-fascista, próximo de Georges Bataille, Caillois seria obrigado a sair da França em 1939, e durante toda a guerra viveria na Argentina, afastando-se decisivamente de uma carreira académica que prometia grande brilhantismo. Na capital argentina, fundaria a publicação Les Lettres Françaises e o Instituto Francês de Buenos Aires. No seu regresso a França, após a guerra, inicia uma campanha contra o que considerava serem os dois grandes imperialismos intelectuais do seu tempo: o marxismo e a psicanálise, aos quais dedica duas obras: Description du marxisme (1950) e Infaillible Psychanalyse (1957), num notável esforço de desconstrução e critica.
Toda a obra de Caillois se caracteriza por uma grande versatilidade e abrangência, tocando diversos ramos do conhecimento e das artes, e sendo percorrida por um estilo e uma filosofia extremamente próprios e inspirados. Intelectual e homem da cultura respeitado internacionalmente, Callois seria ainda funcionário da UNESCO, a partir de 1948, empreendendo inúmeras viagens na difusão das suas obras e publicações, com destaque para a revista Diogène, até à data da sua morte, 21 de dezembro de 1978.
Outras obras fundamentais de Callois:
1935, La Necessité d'esprit
1962, Esthétique gènéralisée
1970, L'Ecriture des pierres
1979, Le Fleuve Alphée
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