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Roger Fenton
Fotógrafo inglês, Roger Fenton nasceu em 1819, em Lancashire, numa família privilegiada da sociedade inglesa. Durante a juventude estudou artes em Londres e, mais tarde, já em 1841 e em Paris, estudou pintura, juntamente com Paul Delaroche (que afirmara, entusiasticamente, acerca da relação entre a pintura e a fotografia: "... a partir de agora, a pintura morreu!" ).
O fraco sucesso de Fenton como pintor fê-lo regressar a Londres em 1844 para estudar Direito. No ano de 1847, juntamente com outros fotógrafos, criou o Photographic Club of London (Clube Fotográfico de Londres), que viria mais tarde a transformar-se, a 20 de janeiro de 1853, na Photographic Society of London e que hoje em dia é conhecida como Royal Photographic Society.
Foi um dos líderes dos defensores do estatuto de arte para a fotografia e travou mesmo algumas "lutas" para a inserir no grupo das belas-artes.
Da sua carreira como fotógrafo podemos realçar os retratos que fez da rainha Vitória de Inglaterra e de toda a família real, as paisagens e os estudos arquitetónicos. As suas imagens mais famosas foram conseguidas em 1855, durante a guerra da Crimeia.
William Russel, jornalista do The Times e um dos seus primeiros correspondentes de guerra, começou a enviar uma série de artigos relatando as reais condições em que os soldados ingleses lutavam. Histórias que davam conta da falta de condições, a ineficiência dos medicamentos, a falta de vestuário adequado para as condições climatéricas que se faziam sentir no terreno, a escassez de mantimentos, etc.
O crescente criticismo da opinião pública relativamente a esta guerra fez com que o governo lançasse uma gigante campanha de propaganda para limpar a imagem. Persuadido pelo príncipe Alberto e por um editor, Fenton tirou uma série de fotos de guerra (cerca de 360) no terreno, que mostravam uma visão "maquilhada" do conflito, transmitindo algum romantismo e aventura. Geralmente mostravam uma cena bem ordenada, sem cadáveres, com abundância de mantimentos, como uma cena de um piquenique. Os soldados encontravam-se sempre em boas condições e os feridos apareciam sempre a receber os cuidados necessários.
Fenton foi também responsável por uma série invulgarmente bela de retratos, que criou no seu estúdio em Londres, usando modelos e amigos. São imagens que recriam o espírito de pintores famosos, permitindo observar o mundo proibido e esquecido, onde a mulher está disponível para entretenimento do homem, sem constrangimento moral. Trata-se de um conjunto de imagens surpreendentes, principalmente tendo em conta a grande restrição na sexualidade da Inglaterra vitoriana.
Roger Fenton conseguia criar um envolvimento completo, com uma decoração que dava a ilusão de se tratar de uma fotografia de documentário. Um pouco como na pintura, trabalhava a luz de uma forma especial, usando uma justaposição do escuro e da luz, criando assim palcos dramáticos. As roupas exóticas das modelos e os objetos que as rodeavam criavam um mundo de intriga e mistério que, nas mãos de um fotógrafo menos capaz, seriam apenas mais umas fotografias dramáticas de estúdio. Mas a sua imaginação e o seu talento artístico deixaram um legado de fotografias que, mesmo cem anos depois, ainda conseguem cativar a atenção.
Embora tenha sempre tido facilidade em expor e vender as suas fotografias, desistiu da fotografia, sem razão aparente, em outubro de 1862, vendendo todo o equipamento e negativos que possuía para regressar à advocacia. Na altura, chegou ainda a sugerir que o seu abandono derivou do facto de não gostar da crescente comercialização da fotografia.
Cerca de 600 das suas fotografias estão guardadas na Royal Photographic Society, sendo este, provavelmente, o maior arquivo do seu trabalho.
Foi possivelmente a cólera que esteve na origem da sua morte, em 1869.
Como referenciar: Roger Fenton in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-09-26 05:01:19]. Disponível na Internet: