Roman Polanski

Ator e realizador polaco nascido a 18 de agosto de 1933, em Paris. É considerado um dos cineastas mais inovadores das décadas de 60 e 70. Filho de um judeu polaco e de uma emigrante russa, foi criado em Cracóvia, mas durante a ocupação nazi, os seus pais foram enviados para Auschwitz. A sua mãe veio a morrer na câmara de gás, mas o jovem Roman, graças aos esforços do seu pai, conseguiu fugir, tendo sido acolhido por famílias católicas. Para se esconder dos nazis, Roman muitas vezes refugiava-se em cinemas, tendo sido dessa situação que nasceu a sua paixão pelo cinema. Findo o conflito, foi morar com o seu pai para Caracóvia e depois para Lodz, onde frequentou a Escola de Cinema da cidade. Aí formou-se com distinção, tendo realizado uma série de curtas-metragens, a primeira das quais Rower (1955). A sua primeira longa-metragem foi Nóz w Wodzie (A Faca na Água, 1962), um intenso drama psicológico repleto de simbolismo situado num iate alugado por um casal que resolve acolher um estudante que irá abalar o seu casamento. A dinâmica visual de Polanski foi gabada em diversos certames internacionais, mas a irreverência de Polanski colidiu com os interesses dos dirigentes comunistas que obrigaram o realizador a exilar-se em Inglaterra. Aqui filmou uma série de filmes que tinham o bizarro e a fantasia psicológica como temática: Repulsion (Repulsa, 1965), Cul-de-Sac (O Beco, 1966) e a comédia vampiresca The Fearless Vampire Killers (Por Favor, Não Me Morda o Pescoço, 1967), protagonizado por Sharon Tate, sua esposa. Convidado para trabalhar em Hollywood, mudou-se para os EUA onde concebeu um dos clássicos do filme de horror: Rosemary's Baby (A Semente do Diabo, 1968). Em 1969, a tragédia bateu-lhe à porta, da pior forma possível. Aproveitando que o realizador se encontrava numa reunião de negócios, um grupo satânico liderado por Charles Manson, invadiu a mansão de Polanski interrompendo uma festa onde a anfitriã era Sharon Tate, grávida de 8 meses. Violaram-na e assassinaram-na brutalmente, com requintes diabólicos, juntamente com mais sete convivas. Profundamente abalado e transtornado, os filmes seguintes de Polanski foram marcados por uma excessiva violência gráfica, nomeadamente Macbeth (1971) e What? (1972). Chinatown (1974) tornou-se um clássico do film noir e valeu-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Realizador. Após ter filmado e protagonizado o filme de terror The Tenant (O Inquilino, 1976), Polanski viu-se envolvido num escândalo de pedofilia e acusado de ter mantido relações sexuais com uma menor de 13 anos durante uma sessão fotográfica. Polanski foi submetido a uma série de testes psiquiátricos e um período de internamento, mas conseguiu fugir para França nas vésperas do julgamento. Aqui, assinará um dos mais belos títulos da sua filmografia: Tess (1979), uma adaptação de um romance de Thomas Hardy. Após um período de seis anos em que se dedicou à encenação teatral, Polanski voltou ao cinema, tentando ressuscitar um género que estava em declínio: o filme de piratas. Mas Pirates (Piratas, 1986), apesar da presença de um peso-pesado como Walter Matthau, foi um fiasco de bilheteira, tal como os thrillers Frantic (Frenético, 1988) e Bitter Moon (Lua de Mel, Lua de Fel, 1992). Já Death and the Maiden (A Noite da Vingança, 1994) protagonizado por Ben Kingsley, Sigourney Weaver e Stuart Wilson recebeu as boas graças do público e da crítica. Depois de The Ninth Gate (A Nona Porta, 1999) protagonizado por Johnny Depp e Emmanuelle Seigner (esposa de Polanski), o realizador realizou a sua obra mais premiada de sempre: The Pianist (O Pianista, 2002) onde descreveu muitas das suas memórias da Polónia ocupada pelos nazis. O filme valeu-lhe a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Óscar para Melhor Realizador.
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