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Romance de Enéias
O Romance de Eneias (Le Roman d'Enéas), escrito por um anónimo, por volta de 1160, durante o reino de Leonor de Aquitânia, é um dos romances da Época Medieval que aborda temáticas da Antiguidade, tal como o Romance de Tebas, o Romance de Troia ou o Romance de Alexandre. Estes romances trazem, para o imaginário popular, os mitos e as lendas das figuras heroicas da Grécia Antiga, não só no que se refere a personagens e feitos, como também a modelos estéticos das cidades e dos objetos.
O termo "roman", em França, designava, por essa altura, uma narração em verso, posteriormente, em prosa, em romance ou romanço (língua falada na época, saída do latim popular oral e anterior ao francês antigo). Contava as aventuras fabulosas ou os amores de heróis imaginários ou idealizados, tais como são exemplos Romance de Eneias, Romance de Alexandre, Romance da Rosa, entre outros. Ao contrário das canções de gesta, que eram para ser cantadas, os romances eram para ser lidos, em voz alta, perante um grupo de pessoas.
O Romance de Eneias, baseado na Eneida de Virgílio (século I a. C.), narra a história do herói troiano Eneias, introduzindo novos dados em relação à fonte literária, através de comentários, de análises de aspetos sentimentais ou de descrições pormenorizadas de objetos. Na versão do século XII, o autor omite grande parte dos feitos de Eneias para dar mais relevo aos seus combates com monstros maravilhosos ou a combates de espada com outros cavaleiros. Para atrair a atenção do leitor, foca, na sua narração, duas histórias de amor: a de Eneias com Dido e a de Eneias com Lavínia (muito mais extensa do que a apresentada na Eneida de Virgílio). Esta história de amor começa por relatar a inexperiência de Lavínia sobre o amor e a vontade de sua mãe, a rainha Amata, em casá-la com o nobre Turnus, que a amava, pois, na opinião da rainha, Eneias não gostava de Lavínia, apenas pretendia o seu reino. Em seguida, a rainha explicou a Lavínia o que era o Amor, os seus benefícios e as suas consequências dolorosas. [Mais tarde, quando a jovem observou os troianos, reparou em Eneias, que era o mais belo e o mais nobre de todos. O Amor atingiu então Lavínia com a sua seta e a jovem logo se apaixonou por Eneias. Preocupada, porque o troiano não sentia o mesmo que ela, Lavínia decidiu enviar-lhe uma mensagem de amor, numa seta, que suscitou em Eneias o sentimento amoroso, tornando-o também mais corajoso e melhor como pessoa. Entretanto, Eneias defrontou-se com Turnus, acabando por ganhar o combate e por casar-se com Lavínia. Esta chegou à conclusão de que o equilíbrio do casal apaixonado só podia ser atingido com o domínio de Eneias, durante o dia, e de Lavínia, à noite. A história termina com a vitória do amor construtivo que traz a felicidade, abençoado por Vénus e pelo seu filho Amor.
A história de Eneias faz parte do ciclo de histórias sobre Troia, cidade que os governantes medievais acreditavam ter existido e ter estado na origem do Império Romano, conforme tinha sido sugerido por Virgílio. As Cruzadas contribuíram também para este renovado interesse pela Antiguidade Clássica e pelas histórias de amor, paixão, ambição, guerra e política, que tinham lugar no Oriente. Para além disto, o interesse dos governantes, que ocupavam os territórios correspondentes às atuais França e Grã-Bretanha, por estes romances prendia-se ainda com o facto de julgarem que eles próprios tinham como ascendente Brutus, descendente de Eneias.
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