Romance dos Três Reinos

O Romance dos Três Reinos (Roman des Trois Royaumes), também conhecido por Os Três Reinos, constituído por 120 capítulos, foi publicado na China, em 1394, e a sua autoria atribui-se a Luo Guanzhong (1330-1400). Considerado o mais popular e o maior de todos os grandes romances históricos chineses e uma das quatro grandes obras da literatura clássica chinesa, baseia-se em obras e eventos históricos chineses, apesar de, na sua maioria, a obra ser inventada. A sua história consiste nas aventuras épicas de personagens reais ou imaginários, contadas numa linguagem simples, passadas na China, na época dos três reinos, no século III. A trama centra-se nos muitos episódios sobre a luta de sucessão, que se seguiu, na China, à queda da dinastia Han, e na repartição do império em três reinos: o reino de Wei, o mais importante; o reino de Shu (Sichuan), no Sul; e o reino de Wu (Yangzijiang), no Norte.
A revolta civil ("Turbantes Amarelos") foi esmagada pelo general Ts'ao Ts'ao, grande poeta e político, que aproveitou para depor o Imperador Han e fundar a dinastia Wei, não conseguindo, no entanto, impedir a formação dos outros dois reinos. O principal rival do General Wei era Liu Bei do reino de Shu, parente dos Han e seu legítimo sucessor, tendo sido constantes as lutas entre estes dois reinos. Existia ainda o reino de Wu, no Norte, que tinha poucos recursos económicas. O rei de Wei, ao contrário dos outros dois, tinha herdado toda a riqueza e todas as infraestruturas da dinastia Han, mas gastou, insensatamente, fortunas numa corte luxuosa e em recompensas aos seus aliados. Foi precisamente um deles, a família Xi Jin, que conseguiu depor os Wei e que acabou por reunificar a China, em 280, por um período, no entanto, muito curto. Estas guerras ficaram na memória popular, e Liu Bei, do reino Shu, tornou-se uma espécie de deus da guerra. Na época dos Três Reinos, a China teve contactos importantes com a Coreia, à qual o reino Wu tentou ir buscar algum apoio, e com o Japão, que apoiou Wei. Foi nessa altura que o Japão assimilou o sistema de escrita chinesa, cujos caracteres tinham uma leitura japonesa, para além de outras duas leituras sino-japonesas de inspiração coreana, vindas através de diferentes estados da Coreia, influenciados, uns pelos Wei e outros, pelos Wu.
A forma escrita de O Romance dos Três Reinos manteve, até ao século XIX, várias características da origem oral: os títulos dos capítulos eram constituídos por dois versos, a narração era interrompida por poemas, que normalmente faziam descrições ou apresentavam lições de moral.
O Romance dos Três Reinos teve um enorme sucesso e difundiu-se por vários países da Ásia oriental, como a Coreia, o Japão e o Vietname, integrando vários manuais escolares e fazendo parte de filmes e de jogos de vídeo.
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