Rota do Cabo

A Rota do Cabo é a via marítima entre o Ocidente e o Oriente que passa ao largo do Cabo da Boa Esperança, no extremo meridional do continente africano.
O estabelecimento da Rota do Cabo resultou da experiência e da arte náuticas dos portugueses no Oceano Atlântico. Quem a percorreu pela primeira vez foi Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para a Índia, chegando a Calecute em 1498. Era a realização de um sonho antigo. O contacto entre o Ocidente e o Oriente deixava de depender da Rota da Seda. Ao mesmo tempo, era a oportunidade de surgimento de uma potência comercial atlântica e um duro golpe para o comércio mediterrânico.
O caminho marítimo para a Índia das especiarias e para o mundo do Oceano Índico foi dominado inicialmente pelos portugueses, tendo-se efetuado, de 1498 a 1635, 916 partidas de armadas do Tejo. As tentativas francesas, como a de Parmentier, que viajou até Samatra em 1529, não ameaçaram de forma alguma o monopólio português, o que só começou a acontecer no século XVII, quando os holandeses e os ingleses passaram, de facto, a inspirar receios. Mas durante mais de oitenta anos, as armadas portuguesas e as naus de especiarias puderam circular pela Rota do Cabo sem sentirem qualquer ameaça; apenas no regresso, ao entrarem em águas açorianas (na fase final da rota), eram atacados por piratas ou esquadras inimigas.
A importância comercial e política da Rota do Cabo foi enorme. Enquanto o País não se viu obrigado a apostar noutras zonas, designadamente no Brasil, permitiu o desenvolvimento económico de Portugal. Na realidade, até à abertura do Canal de Suez, em 1869, ocupou um lugar de primeiro plano na economia mundial, tendo voltado ao centro das atenções, mais recentemente, como rota vital para o fornecimento de petróleo ao Ocidente, abalado com o encerramento à navegação daquele canal de 1967 até 1975.
Como referenciar: Rota do Cabo in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-11 02:43:45]. Disponível na Internet: