Russificação da Polónia

No Congresso de Viena (1815), faz-se mais uma vez a partilha da Polónia entre a Prússia, a Áustria e a Rússia, que fica com uma boa parte do país: a Lituânia, a Bielorrússia e a antiga Ucrânia polaca. A Polónia central, conhecida como a "Polónia do Congresso", com Varsóvia, ficou unida ao Império russo, ainda que com Constituição (datada de 25 de novembro de 1815), Governo (composto pelo Conselho de Estado e pela Dieta), administração e exército próprios. Tem, do mesmo modo, liberdade de culto (embora o catolicismo seja a religião oficial) e de imprensa. Todavia, o controlo de algumas instituições ficou indiretamente nas mãos russas. A oposição era feita, principalmente, por oficiais e intelectuais, organizados em sociedades secretas. As universidades eram centros de tensão, deportando-se estudantes para a Rússia.
Em 1830, rebenta uma sublevação em Varsóvia que se estende depois ao resto do país. Divididos entre si, os chefes da revolta pedem apoio ao Ocidente, que nada faz, ao contrário da opinião pública europeia. O czar esmaga então a revolta, entrando em Varsóvia, em maio de 1831. Acabava a nação polaca. Muitos polacos exilaram-se, outros emigraram. Os russos fecham universidades, decidem abolir a Constituição, perseguem os católicos, eliminam gradualmente a nacionalidade polaca, que resistiu sempre apesar de tudo aos excessos do czar.
Alexandre II (1855-88) tenta apaziguar e promove uma conciliação "à russa", mas as suas medidas não satisfazem o povo que, em 1861, comemorou estrondosamente a revolta de 1830-31. As tropas russas, uma vez mais, disparam sobre os manifestantes. Revogam-se as medidas conciliadoras de Alexandre II e endurece-se a opressão russa, reprimindo-se motins, partidos e manifestações. A juventude nacionalista começa a ser deportada. A resistência polaca contra-ataca através da guerrilha e do terrorismo, com o apoio popular. Os russos respondem com o terror, fazendo política de "terra queimada". Medidas de rigor virão depois de 1861, acabando-se com qualquer esboço de identidade polaca e russificando-se o país, por exemplo no que diz respeito ao ensino e à justiça. Proíbe-se mesmo o polaco como língua oficial e persegue-se com dureza a Igreja Católica. Em 1864, impõe-se uma Reforma Agrária radical para eliminar a nobreza polaca resistente.
Porém, a união dos dois povos, ainda que sangrenta, motivou um desenvolvimento económico relativo, principalmente no comércio entre ambos os países, embora os polacos tenham resistido sempre: escolas desertas, analfabetismo, instrução em casa, tudo contra a russificação.
Em finais do século XIX, em nome do pan-eslavismo, os russos tentam combater o germanismo na Polónia que, irredutível, vê as medidas "liberais ", após a revolução Russa de 1905, não frutificarem. Às portas da Primeira Guerra Mundial, a Polónia era ainda russa. Em 1915, é ocupada pelos alemães e, no ano seguinte, os antigos territórios russos da Polónia são encarados pelas potências ocidentais como um território que devia ser independente. A independência, porém, só chegará em 1918, aproveitando-se do fim da guerra e do desabar da Rússia czarista. Pilsudski foi o líder que encaminhou a nação polaca para o seu próprio caminho.
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