Ryokan

Mestre de caligrafia e poeta, foi um monge Zen da escola Soto. Nasceu em 1758, em Izumozaki, na província de Echigo (atual Niigata), e faleceu em 1831. Em criança frequentou uma escola privada dirigida por um erudito adepto do confucionismo e esperava-se dele, como filho mais velho, que sucedesse ao pai enquanto chefe da aldeia. Contudo, e aparentemente sem o consentimento dos pais, aos dezassete anos entrou para o templo Zen local. Em 1779 seguiu o mestre Kokusen, que se encontrava de passagem na região, e treinou sob a sua orientação durante cerca de dez anos no mosteiro Entsu-ji. Recebeu inka, a confirmação para se tornar por sua vez mestre Zen. Depois da morte de Kokusen viajou durante cinco anos e acabou por se estabelecer na área onde nasceu, vivendo como eremita numa cabana.
Ryokan teve um discípulo, Miwa Saichi, que morreu em 1807. A morte do discípulo abalou-o muito, e depois disso não se interessou mais em transmitir a sua compreensão espiritual a outros. Nunca tentou impor os seus princípios, acentuando a unidade essencial de todo o ensinamento budista. O nome religioso Ryokan, que significa "Vasta Tolerância" reflete sem dúvida esta particularidade. Adquiriu igualmente uma reputação de excentricidade, que assumiu com outro nome que adotou, Taigu (Grande Louco), mas os relatos dos seus contemporâneos também falam do seu calor humano e compaixão. Nunca se preocupou em ter o seu próprio templo, como muitos outros mestres japoneses. Em vez disso vivia simplesmente como um monge mendicante e dedicava o seu tempo à meditação e à escrita. Tornou-se uma figura conhecida na região e muito popular entre as crianças. As suas brincadeiras são descritas em alguma da sua poesia. Visitava o irmão Yoshiyuki, que o tinha substituído enquanto chefe de família, e trocava poemas com ele e outros amigos. Em 1826, já com 68 anos, iniciou uma profunda amizade com Teishin (1798-1872), uma monja budista que o visitava e com quem se correspondia regularmente. Os poemas que trocaram, juntamente com outros poemas, foram coligidos mais tarde por Teishin numa obra intitulada Hachisu no tsuyu (Orvalho de Lótus). Uma das características de Ryokan, ao contrário de outros poetas, foi a de nunca se ter preocupado em compilar o seu trabalho, oferecendo-o a amigos e visitantes. Felizmente que a reverência que inspirou como homem e artista fez com que a maior parte da sua obra fosse preservada cuidadosamente e depois da coletânea organizada por Teishin outras se sucederam. Os investigadores conseguiram recolher cerca de 1400 poesias em japonês e 450 em chinês, assim como correspondência e outros escritos. Não pertenceu a nenhuma escola ou corrente literária e as suas inovações e espírito não convencional tornaram-no cada vez mais apreciado pelas gerações posteriores.
Como referenciar: Ryokan in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-01-18 11:11:56]. Disponível na Internet: