S. Celestino V

Papa italiano, depois de uma sede vacante de cerca de dois anos, devido a grandes indecisões, foi eleito para ocupar o cargo de bispo de Roma (papa) o eremita Pietro de Morrone, nascido no seio de uma humilde família aldeã cerca do ano 1209. Apesar do seu nome de batismo ser Pietro Angelario, ficou conhecido com o do monte onde se recolheu em solidão. Tinha sido educado em Santa Maria de Faifula, pelos monges beneditinos, razão que o levou a adotar a Regra desta mesma Ordem fraternidade que com os seus seguidores erigiu no mesmo monte Morrone, onde também edificou uma igreja dedicada a Santa Maria. Esta comunidade tinha sido confirmada pelo papa Gregório X, em 1274, e protegida por Carlos II de Anjou.
Houve um interregno na vida eremítica de Pietro Angelario, na altura em que foi eleito abade de Santa Maria de Faifula. Contudo, passado algum tempo preferiu o seu refúgio do monte Morrone, tendo sido desde este local que profetizou o castigo de Deus caso os cardeais não decidissem rapidamente quem ocuparia a Sede pontifícia. A cúria, que além disto estava a ser pressionada por Carlos II de Anjou que necessitava de um papa por razões políticas, decidiu de imediato eleger o eremita, a 5 de julho de 1294, decisão que foi unanimemente aclamada. Esta satisfação proveio do facto de toda a Igreja almejar um chefe pleno de santidade, que ressarcisse a Igreja dos pontificados desequilibrados e politicamente tendenciosos que se tinham verificado nos últimos tempos. Esta ideia foi reforçada pelas profecias de Joaquim de Fiore, que preconizavam a vinda de um papa angélico. Foi o eremita consagrado papa na igreja da Santa Maria de Colmaggio (L'Aquila), a 29 de agosto de 1294, e estabeleceu-se em Nápoles.
Contudo, verificou-se que não possuía qualquer aptidão para o governo da Igreja, caindo em sucessivos erros e tornando-se um instrumento político muito fácil de manejar. Decidiu por isso abdicar, tendo emitido a 10 de dezembro de 1294 uma bula para salvaguardar a sua posição, uma vez que era inédita. Cessou funções a 13 de dezembro de 1294. Não lhe foi permitido retornar à sua vida de eremita, e depois da sua tentativa de fuga o papa Bonifácio VIII encerrou-o em Castel Fumone (Ferentino).
Faleceu a 19 de maio de 1296 e no dia 5 de maio de 1313 foi canonizado como confessor (da Fé).
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