S. Félix III (II)

Papa italiano, pode ser mencionado também como Félix II, uma vez que aquele que aparece como o segundo do nome foi na verdade considerado um antipapa.
Era Félix III filho de um presbítero oriundo da aristocracia romana. Quando foi eleito bispo de Roma, em substituição de São Simplício, recebeu todas as ordenações necessárias para o acesso ao cargo, uma vez que as não possuía. Nesta altura era já viúvo e tinha dois filhos, um dos quais seria avô de São Gregório Magno.
Durante o seu pontificado teve de lidar com o grave problema da afirmação de primazia da Igreja de Constantinopla, que, uma vez caído o Império Romano do Ocidente e a sua capital nas mãos dos Germânicos, considerava a sua Igreja superior, pois mantinha toda a sua independência e a cidade era a sede do Império Romano do Oriente. Com o intuito de terminar com as tentativas que Acácio, patriarca de Constantinopla, tinha efetuado para elaborar e impor uma doutrina que fosse suficientemente maleável e ambígua para agradar a ortodoxos, nestorianos e monofisitas, até de reempossar o bispo de Alexandria, Talaia, deposto pelo mesmo Acácio, o papa enviou alguns delegados a Constantinopla. Contudo, estes sucumbiram às propostas de Acácio e acabaram por declarar em nome do papa que a Igreja de Roma acataria todas as ordens e disposições que o imperador do Oriente e o patriarca tomassem.
Estes delegados pontifícios acabaram por ser excomungados pelo grave erro em que incorreram, juntamente com Acácio, no sínodo de 28 de julho de 484, o que originou um cisma entre a ortodoxia da Igreja de Roma e o monofisismo da de Constantinopla. Este cisma prolongar-se-ia por trinta e cinco anos.
Tanto São Félix III como a sua família foram sepultados na basílica romana de São Paulo fora de Muros.
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