S. Silvério I

Papa italiano, filho do papa Hormisdas e natural de Frosinone, no Lácio, este subdiácono foi eleito a 8 de junho de 536 a instâncias do rei Adeodato (ou Adeusdado), quando se teve notícia da morte do papa São Agapito I. Pontificou numa época de disputa profunda e crescente entre Roma e Constantinopla, entre o poder papal e o imperial, personificado na figura todo-poderosa de Justiniano.
No mês de dezembro de 536, Roma foi ocupada por Belisário (general bizantino), passando a formar parte do império oriental. Contudo, o seu estatuto de cidade suprema da Cristandade não foi afetado pelas disposições do imperador Justiniano, tornando-se a seguinte em importância Constantinopla, esta antecedendo Alexandria, Antioquia e Jerusalém (sendo todas as cidades mencionadas sede de patriarcado). Apesar do imperador seguir os preceitos de moral emanados por estas comunidades, considerava que os patriarcas lhe deviam obediência.
Como São Silvério se recusou a reabilitar Antímio de Constantinopla (acusado de monofisismo), como era desejo da imperatriz Teodora, Belisário acusou-o, apoiando-se em provas falsas, de maquinar com os Godos para entregar Roma.
Foi também despojado da dignidade de pontífice, em março de 537. Foi-lhe outorgado, de novo, o cargo de subdiácono, e foi exilado na Ásia Menor (Patara). O bispo de Patara recorreu a Justiniano, defendendo Silvério; então o imperador determinou que São Silvério regressasse a Roma para ser julgado, o que acabou por não acontecer porque foi raptado durante a viagem a mando de Vigílio (que entretanto tinha sido eleito pontífice) e de Belisário, sendo depois levado para a ilha de Palmaria e forçado a abdicar a 11 de novembro do mesmo ano.
Como referenciar: Porto Editora – S. Silvério I na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-07-31 19:53:20]. Disponível em