Salústio Crispo

Nasceu em 86 a. C., na Sabínia, de família plebeia, mas rica. Depois de sólidos estudos e de uma juventude bastante dissoluta, entrou na vida política e ligou-se ao partido democrático avançado, sustentado por César, contra a aristocracia.
Tribuno em 52 a. C., foi um dos adversários mais temíveis de Mílon e de Cícero. Expulso do Senado pelos seus adversários políticos em 50 a. C., colocou-se ao lado de César, quando este transpôs o Rubicão (49 a. C.). Reintegrado pelo Senado, foi nomeado questor por César em 48 e depois comandante da 10.a legião. Já como pretor recebeu, em 46, o governo da província da África, onde fez uma enorme e duvidosa fortuna que lhe permitiu comprar no Quirinal os célebres jardins de Salústio. Foi o apoio de César que o salvou da acusação de concussão. Após a morte de César, em 44, abandonou a carreira política e retirou-se para a sua esplêndida residência no Quirinal onde escreveu as suas obras históricas: De coniuratione Catilinae e Jugurtha, que nos chegaram por inteiro, e as Histórias, de que conhecemos apenas alguns fragmentos. Morreu em 34 a. C.
Como historiador Salústio é um precursor. Abandonando o estilo dos antigos historiadores romanos, frios e analistas, e servindo-se de Tucídides como modelo, foi o primeiro a escrever em latim uma história de carácter verdadeiramente literário. Delicia-se a procurar as causas dos acontecimentos, a pintar o quadro do espírito duma época, a fazer falar as suas personagens, de acordo com as suas ideias e os seus temperamentos. É filósofo, psicólogo e moralista. É menos profundo que Tucícides, mas o seu estilo é mais vivo. Embora pretenda ser imparcial como o seu mestre, na narração dos acontecimentos contemporâneos, é evidente que as suas simpatias vão para César. O estilo de Salústio é breve e conciso e o seu vocabulário oferece um certo número de expressões arcaicas e populares.
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